segunda-feira, 20 de outubro de 2003

Grande mentiroso

O deputado Luiz Eduardo Greenhalgh declarou no Globo de hoje: "Estatuto não desarma homem de bem". Grande mentira. O estatuto original do deputado condicionava a compra legal de uma arma a uma 'prova de necessidade'; o objetivo dessa 'prova' era, sem a menor dúvida, desarmar homens de bem. Mesmo na forma atual--aquela que o deputado repudia--o estatuto desarma na medida em que nem todas as pessoas de bem poderão pagar as novas e altas taxas para o porte e a posse de armas legais. (Por sinal, a nova taxa para o porte no Brasil, R$1.000/~US$350, será 179% mais alta que a maior taxa para porte cobrada nos EUA, i.e., US$140 no Texas; ver Tabela 4.12, 'More Guns, Less Crime', John Lott Jr. Isto, caro leitor, enquanto o nosso PIB per capita é quase cinco vezes menor: US$7.600 vs. US$37.600 em 2002.) O artigo fecha com a seguinte declaração do Greenhalgh: "Tem deputado, industrial, gente da polícia que vive às custas da fabricação de arma de fogo. Até as indústrias não tem interesse no estatuto porque ele regulamenta o comércio e dá à população brasileira o direito de ela dizer se quer ou não acabar com essa farra da arma de fogo. Quem não quer a mudança é quem se aproveita da situação". Como pode 'gente da polícia' viver às custas da fabricação de armas? Ele quer desarmar as polícias? Ele se refere a contrabandistas que já trabalham ilegalmente? E como pode a indústria gostar do estatuto que permite o comércio mas também dá ao povo o direito de proibir o comércio? Não é uma coisa ou a outra? Não assusta tanto o deputado regularmente dizer coisas sem o menor sentido. O pior é o número de pessoas que estão apostando suas vidas e aquelas de seus familiares na posição que ele porcamente defende.

quarta-feira, 15 de outubro de 2003

Aqueles que não estão se pronunciando sobre o fim do porte porque acham que o seu próprio porte está garantido--especialmente policiais e membros do judiciário--deveriam mudar de postura por dois motivos: Primeiro porque, ao menosprezar direitos fundamentais dos outros, vocês estão menosprezando os seus próprios--afinal, esses direitos são os mesmos pra todos. Segundo porque o porte de ninguém está garantido com os anti-armas que aí temos--basta ler as propostas do Dep. Luiz Eduardo Greenhalgh.

A publicação 'O Globo'--não posso chamar isso de jornal--de hoje é prova incontestável de que a Rede Globo está engajada numa campanha publicitária a favor do desarmamento. O artigo sobre os truques do governo para aprovar o Estatuto do Desarmamento vem com uma enorme figura circular, como uma placa de sinalização do trânsito, com um revólver no centro e um X sobre ele. O empenho da Globo em aprovar essa lei parece não ter limite. A Rede Globo trabalha com opiniões, notícias e ficção, mas tudo misturado: seu noticiário é opinioso, suas opiniões são uma ficção e sua ficção noticia suas opiniões.

segunda-feira, 13 de outubro de 2003

O RJ-TV de sexta-feira anunciou que o rei e a rainha da noruega doaram R$400.000,00 para a campanha do desarmamento do Viva Rio. Tentei encontrar um link para o leitor conferir por escrito esta nova evidência de influência estrangeira na nossa política de segurança pública, mas não houve interesse nem dos noruegueses, nem da Rede Globo, nem do Viva Rio, em divulgar esta doação por escrito. Ah, vale lembrar que, da última vez que chequei, o percentual de domicílios noruegueses com armas de fogo estava em 31,2%. Na Europa, eles só ficam atrás dos Suíços (32,6%). Por algum motivo, acham bom ter armas pra si próprios.

quinta-feira, 9 de outubro de 2003

Hoje de manhã a Rede Globo entrevistou o relator do estatudo do desarmamento, Dep. Luiz Eduardo Greenhalgh. Aqui vai minha interpretação da entrevista:

GLOBO: - E aí, patrão, a gente ganha essa ou não?
GREENHALGH: - Pois é, não sei. A gente tá tentando contornar o congresso com essa idéia de referendo popular. Há anos que o congresso não aprova uma lei extrema como queremos--vamos então jogar direto pra platéia de vocês. Estamos planejando o seguinte: A TV Globo vai exibir um programa "Você decide", que obviamente será neutro sobre a questão, e a população vai votar por telefone, ligando direto para a Globo.
GLOBO: - O deputado, sei que estou aqui pra levantar só bolas fáceis pro senhor cortar, mas aqui vai uma mais chata: o Sr. é do PT, o partido supostamente do povo. Como o Sr. reconcilia isso com o estatuto do desarmamento, que vai prejudicar principalmente as pessoas de baixa renda que não tem dinheiro pra contratar segurança privada?
GREENHALGH: - Mas qual pobre que vai ser desarmado com essa lei? Pobre já não tem comida na mesa, muito menos arma pra defender a família. [Risos]. Assim como pobre confia sua saúde ao SUS, agora vai ter de confiar a defesa de sua vida ao estado.
GLOBO: - Deputado, as estatísticas apontam que o desarmamento é a coisa certa, não é?
GREENHALGH: - Essas estatísticas todas que a gente menciona, cuidadosamente preparadas pelos técnicos britânicos do Viva Rio, não deixam dúvidas. E a nossa tese principal, que é inquestionável, é de que o fechamento das lojas de armas vai acabar com o estrondoso contrabando de armas que ocorre hoje. Entendeu a lógica?
GLOBO: - Huh? Sim, claro, faz todo sentido.

segunda-feira, 6 de outubro de 2003

Na sexta-feira, na homepage da Yahoo.com, saiu notícia do resultado de uma longa revisão de leis anti-armas americanas. A revisão "não achou nenhuma prova de que tais medidas [as leis anti-armas analizadas] reduzem violência com armas". A notícia foi escrita pela a Associated Press. A revisão foi conduzida por um grupo de cientistas nomeado pelo Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC). O CDC também declarou que não pretende gastar mais dinheiro com estudos sobre armas de fogo. Nem precisamos indagar porque não ouvimos essa notícia na mídia brasileira--para os que já investiram meia-hora na internet lendo sobre o assunto 'desarmamento civil no Brasil', está mais que óbvio que a Rede Globo e seus comparsas estão submetendo o país a uma monumental lavagem cerebral. Esse tipo de notícia desfavorável ao desarmamento das vítimas será então filtrado do público a todo custo.

sábado, 27 de setembro de 2003

A FRASE DA SEMANA é do diretor do Instituto Médico-Legal do Rio e coordenador de Polícia Técnica, Roger Ancilloti, sobre a tentativa de assassiná-lo que ocorreu na quarta-feira. O garupa de uma moto fez quatro disparos contra o seu carro. A escolta policial que o seguia atirou contra os bandidos e feriu um gravemente na cabeça: "Somos defensores dos direitos humanos, mas também somos defensores das nossas vidas. Vagabundo que atira contra nós vai receber a resposta no mesmo tom". (O Globo, 25/9/03, p. 23)

quinta-feira, 25 de setembro de 2003

Há um excelente texto de seis páginas do professor Luiz Tadeu Viapiana, no site In-correto (http://www.incorreto.com.br/), sobre a falácia da idéia de que a diminuição da posse e do porte legais diminuirá a criminalidade. O professor demonstra de maneira simples que, se há uma relação causal entre posse/porte legais e criminalidade, esta relação é o inverso daquela inculcada pela a Rede Globo e o seu lobby da submissão. Para ler o texto, tente este link.

quinta-feira, 18 de setembro de 2003

As mudanças que o congresso fez ontem no Estatuto do Desarmamento foram sensatas, apesar da tentativa da Rede Globo e do resto do lobby da submissão de instaurar pânico na população. Todas as mudanças fazem o maior sentido. A melhor mudança, a meu ver, foi retirar a exigência de uma prova de necessidade na compra de uma arma. Essa exigência permitiria que o estado, na prática, acabasse com a venda legal de armas. Afinal, em geral só se pode provar a necessidade de uma arma depois que algo muito grave já aconteceu. Arma é o tipo de coisa que você compra na esperança de não precisar usar. É melhor tê-la e não precisar dela do que precisar dela e não tê-la.

A Rede Globo não faz jornalismo sobre segurança pública no Brasil. Jornalismo fala principalmente sobre o que aconteceu, não sobre o que deve acontecer. O Globo, por exemplo, reportou hoje na sua primeira página: 'Lobby das armas desfigura projeto'. Ou seja, na visão desse "jornal", o projeto de lei não está mais no seu estado natural: bem truculento contra a posse e o porte legais. Este "jornal" é na verdade uma ferramenta de marketing, a mais formidável do Brasil. Note tudo que a Rede Globo faz pra passar esse projeto. Ela mistura rádio--principalmente a CBN--, jornais e televisão--novelas e telejornais--numa blitzkrieg manipulatória do povo. As evidências são tantas que seria tedioso pro leitor e pra mim revê-las aqui. Basta notar somente uma gigantesca: Não sai um pio do seu "jornalismo", muito menos na televisão, sobre a participação estrangeira no lobby da submissão. Isso não é teoria de conspiração. Vem do próprio site do Viva Rio: Em 2002, o total de contribuições estrangeiras só pras campanhas do Viva Rio de desarmamento da população foi quase cinco vezes superior ao gasto do chamado lobby das armas no mesmo ano. A Rede Globo é um importantíssimo membro deste lobby da submissão. O marketing, por exemplo, que ela fez nos jornais, na CBN, nos telejornais e na novela das oito pra promover e esclarecer como deveria ser a passeata do último domingo vale milhões de reais.

domingo, 14 de setembro de 2003

Se Deus é realmente brasileiro, deixou claro hoje que é contra o desarmamento das vítimas brasileiras da criminalidade. Choveu muito e, pra padrões cariocas, fez um frio intolerável durante a passeata da Globo (com apoio do Viva Rio) pelo entreguismo da população brasileira ao banditismo, digo, pelo Estatuto do Desarmamento. A hipocrisia do evento todo é tão grande que me da vontade de vomitar. Como pode uma pessoa com um Q.I. superior ao de uma ameba não perceber que tudo não passa de uma farsa? Vejam só essa notícia do próprio Globo On Line (14/9/03): "Os atores da novela 'Mulheres Apaixonadas' foram à frente, protegidos por seguranças". E ai de quem entrasse na frente deles--o infeliz seria fuzilado no ato pois afinal isso era uma encenação que sairá na novela. O que não era encenação eram os seguranças da Globo, que, como todos sabem, usam pistolas calibre .40 S&W pra defender os GLOBAISHHHHH. A mensagem dessa frente da passeata era a seguinte: "Na ficção, somos à favor de nos desarmar pra nos proteger, mas na prática andamos protegidos com seguranças da pesada."

O besteirol obviamente continuou. O Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), outro presente, disse: "Quem tem necessidade de usar armas, terá o porte garantido. O que o estatuto faz é tornar inafiançável o porte ilegal de armas". MENTIRA. Eu e minha família temos a necessidade de usar armas pois moramos numa cidade pavorosamente violenta, e no entanto esse panaca--não conheço palavra melhor pra descrever este ser--quer exatamente nos proibir de portar armas. Ele quer que a nossa segurança dependa, tempo integral, do estado--aquele que não consegue promover a segurança nem dentro dos presídios.

Outro depoimento infeliz foi o do Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan): "Não podemos voltar à Idade da Pedra, quando defendíamos a nós mesmos". É exatamente pra Idade da Pedra que estamos voltando ao passar leis que não ajudam um pai de família, ou uma mulher sozinha, a se defenderem de atos universalmente considerados abomináveis; leis que levam o indivíduo a não mais poder contar com a ajuda de um vizinho, ou de um pedestre na rua, mas sim com instituições que não existem quando mais precisamos delas; leis que não distinguem a diferença entre o bem e mal; leis que não são baseadas na lógica, no conhecimento ou na verdade dos fatos, mas sim nos mitos das massas perpetuados pela a ignorância e pela a burrice; leis que assumem que os homens não são responsáveis pelos seus atos e que portanto retiram deles liberdades das quais somente pessoas responsáveis podem gozar. E o Estatuto do Desarmamento se enquadra em todos estes casos. Por sinal, um vizinho do Eduardo que eu conheço se refere a ele como "Don Corleone" devido ao esquema milionário de seguranças armados que o protege noite e dia e de carros-blindados que transportam ele e sua família. Ou seja, ele diz que a auto-defesa é uma coisa da Idade da Pedra, algo que a ralé deve renunciar pra que esta dependa integralmente do estado, enquanto que a integridade dele e de sua família não depende deste mesmo estado sequer um segundo.