terça-feira, 28 de outubro de 2003

Cariocas Desarmados e Devorados Vivos

Neste último domingo no Rio, que foi um dia quente e de mar calmo, os bandidos fizeram a festa nas praias e arredores--e estamos falando das melhores, i.e., Barra, Leblon e Ipanema. Foi um total caos: arrastões, roubos, surfe em teto de ônibus e até espacamento de vítima que chamou a polícia (depois que a polícia se retirou). Só no canal 'Animal Planet' se vê tanta depravação dos mais fortes sobre os mais fracos. Há três possíveis explicações para o Rio ser a 'capital nacional do desarmamento'--sede do Viva Rio e da Rede Globo--diante desta carnificina da sua população: a elite carioca é burra, é louca ou é suicida. Desinformada ela não é pois as notícias sairam ontem em todos os grandes jornais da cidade--inclusive com foto da violência, o que torna a compreensão mais fácil pra essa gente tão letrada.

terça-feira, 21 de outubro de 2003

Porte de Armas nos EUA

A taxa de crime violentos nos EUA só vem baixando nos últimos dez anos. O professor John Lott Jr., então da Universidade de Chicago, fez o mais completo estudo criminalístico sobre armas já realizado naquele país e concluiu o seguinte: a liberação do porte de armas ocultadas em mais de trinta estados americanos contribuiu de maneira estatisticamente significativa para reduzir a taxa de crimes violentos ('Mais Armas, Menos Crimes?', Makron Books 1999). Esta liberação vem acontecendo através das aprovações das chamadas leis 'Shall-issue', que dizem que o estado 'deverá emitir' ('shall issue') o porte pra qualquer cidadão que atenda a uma lista de requisitos objetivos. Existe outros três tipos de lei regendo o porte de armas ocultadas nos EUA:
- 'Irrestrito' ('Unrestricted'): Não há necessidade de uma permissão prévia pra carregar uma arma ocultada. Vermont é assim há décadas;
- 'Discricionário' ('May-issue'): O cidadão tem de atender a uma lista de requisitos mas também depende da discrição da autoridade competente;
- 'Proibido' ('No-issue'): O porte é proibido pra civis;
Note que nos EUA nenhuma dessas leis diz respeito ao 'transporte' de armas, que em geral não requer licença desde que a arma esteja desmuniciada e trancada na mala do carro. Sobre a impressionante expansão das leis 'Shall-issue', veja abaixo o gráfico animado que achei no blog do historiador Clayton Cramer:

segunda-feira, 20 de outubro de 2003

Grande mentiroso

O deputado Luiz Eduardo Greenhalgh declarou no Globo de hoje: "Estatuto não desarma homem de bem". Grande mentira. O estatuto original do deputado condicionava a compra legal de uma arma a uma 'prova de necessidade'; o objetivo dessa 'prova' era, sem a menor dúvida, desarmar homens de bem. Mesmo na forma atual--aquela que o deputado repudia--o estatuto desarma na medida em que nem todas as pessoas de bem poderão pagar as novas e altas taxas para o porte e a posse de armas legais. (Por sinal, a nova taxa para o porte no Brasil, R$1.000/~US$350, será 179% mais alta que a maior taxa para porte cobrada nos EUA, i.e., US$140 no Texas; ver Tabela 4.12, 'More Guns, Less Crime', John Lott Jr. Isto, caro leitor, enquanto o nosso PIB per capita é quase cinco vezes menor: US$7.600 vs. US$37.600 em 2002.) O artigo fecha com a seguinte declaração do Greenhalgh: "Tem deputado, industrial, gente da polícia que vive às custas da fabricação de arma de fogo. Até as indústrias não tem interesse no estatuto porque ele regulamenta o comércio e dá à população brasileira o direito de ela dizer se quer ou não acabar com essa farra da arma de fogo. Quem não quer a mudança é quem se aproveita da situação". Como pode 'gente da polícia' viver às custas da fabricação de armas? Ele quer desarmar as polícias? Ele se refere a contrabandistas que já trabalham ilegalmente? E como pode a indústria gostar do estatuto que permite o comércio mas também dá ao povo o direito de proibir o comércio? Não é uma coisa ou a outra? Não assusta tanto o deputado regularmente dizer coisas sem o menor sentido. O pior é o número de pessoas que estão apostando suas vidas e aquelas de seus familiares na posição que ele porcamente defende.

quarta-feira, 15 de outubro de 2003

Aqueles que não estão se pronunciando sobre o fim do porte porque acham que o seu próprio porte está garantido--especialmente policiais e membros do judiciário--deveriam mudar de postura por dois motivos: Primeiro porque, ao menosprezar direitos fundamentais dos outros, vocês estão menosprezando os seus próprios--afinal, esses direitos são os mesmos pra todos. Segundo porque o porte de ninguém está garantido com os anti-armas que aí temos--basta ler as propostas do Dep. Luiz Eduardo Greenhalgh.

A publicação 'O Globo'--não posso chamar isso de jornal--de hoje é prova incontestável de que a Rede Globo está engajada numa campanha publicitária a favor do desarmamento. O artigo sobre os truques do governo para aprovar o Estatuto do Desarmamento vem com uma enorme figura circular, como uma placa de sinalização do trânsito, com um revólver no centro e um X sobre ele. O empenho da Globo em aprovar essa lei parece não ter limite. A Rede Globo trabalha com opiniões, notícias e ficção, mas tudo misturado: seu noticiário é opinioso, suas opiniões são uma ficção e sua ficção noticia suas opiniões.

segunda-feira, 13 de outubro de 2003

O RJ-TV de sexta-feira anunciou que o rei e a rainha da noruega doaram R$400.000,00 para a campanha do desarmamento do Viva Rio. Tentei encontrar um link para o leitor conferir por escrito esta nova evidência de influência estrangeira na nossa política de segurança pública, mas não houve interesse nem dos noruegueses, nem da Rede Globo, nem do Viva Rio, em divulgar esta doação por escrito. Ah, vale lembrar que, da última vez que chequei, o percentual de domicílios noruegueses com armas de fogo estava em 31,2%. Na Europa, eles só ficam atrás dos Suíços (32,6%). Por algum motivo, acham bom ter armas pra si próprios.

quinta-feira, 9 de outubro de 2003

Hoje de manhã a Rede Globo entrevistou o relator do estatudo do desarmamento, Dep. Luiz Eduardo Greenhalgh. Aqui vai minha interpretação da entrevista:

GLOBO: - E aí, patrão, a gente ganha essa ou não?
GREENHALGH: - Pois é, não sei. A gente tá tentando contornar o congresso com essa idéia de referendo popular. Há anos que o congresso não aprova uma lei extrema como queremos--vamos então jogar direto pra platéia de vocês. Estamos planejando o seguinte: A TV Globo vai exibir um programa "Você decide", que obviamente será neutro sobre a questão, e a população vai votar por telefone, ligando direto para a Globo.
GLOBO: - O deputado, sei que estou aqui pra levantar só bolas fáceis pro senhor cortar, mas aqui vai uma mais chata: o Sr. é do PT, o partido supostamente do povo. Como o Sr. reconcilia isso com o estatuto do desarmamento, que vai prejudicar principalmente as pessoas de baixa renda que não tem dinheiro pra contratar segurança privada?
GREENHALGH: - Mas qual pobre que vai ser desarmado com essa lei? Pobre já não tem comida na mesa, muito menos arma pra defender a família. [Risos]. Assim como pobre confia sua saúde ao SUS, agora vai ter de confiar a defesa de sua vida ao estado.
GLOBO: - Deputado, as estatísticas apontam que o desarmamento é a coisa certa, não é?
GREENHALGH: - Essas estatísticas todas que a gente menciona, cuidadosamente preparadas pelos técnicos britânicos do Viva Rio, não deixam dúvidas. E a nossa tese principal, que é inquestionável, é de que o fechamento das lojas de armas vai acabar com o estrondoso contrabando de armas que ocorre hoje. Entendeu a lógica?
GLOBO: - Huh? Sim, claro, faz todo sentido.

segunda-feira, 6 de outubro de 2003

Na sexta-feira, na homepage da Yahoo.com, saiu notícia do resultado de uma longa revisão de leis anti-armas americanas. A revisão "não achou nenhuma prova de que tais medidas [as leis anti-armas analizadas] reduzem violência com armas". A notícia foi escrita pela a Associated Press. A revisão foi conduzida por um grupo de cientistas nomeado pelo Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC). O CDC também declarou que não pretende gastar mais dinheiro com estudos sobre armas de fogo. Nem precisamos indagar porque não ouvimos essa notícia na mídia brasileira--para os que já investiram meia-hora na internet lendo sobre o assunto 'desarmamento civil no Brasil', está mais que óbvio que a Rede Globo e seus comparsas estão submetendo o país a uma monumental lavagem cerebral. Esse tipo de notícia desfavorável ao desarmamento das vítimas será então filtrado do público a todo custo.

sábado, 27 de setembro de 2003

A FRASE DA SEMANA é do diretor do Instituto Médico-Legal do Rio e coordenador de Polícia Técnica, Roger Ancilloti, sobre a tentativa de assassiná-lo que ocorreu na quarta-feira. O garupa de uma moto fez quatro disparos contra o seu carro. A escolta policial que o seguia atirou contra os bandidos e feriu um gravemente na cabeça: "Somos defensores dos direitos humanos, mas também somos defensores das nossas vidas. Vagabundo que atira contra nós vai receber a resposta no mesmo tom". (O Globo, 25/9/03, p. 23)

quinta-feira, 25 de setembro de 2003

Há um excelente texto de seis páginas do professor Luiz Tadeu Viapiana, no site In-correto (http://www.incorreto.com.br/), sobre a falácia da idéia de que a diminuição da posse e do porte legais diminuirá a criminalidade. O professor demonstra de maneira simples que, se há uma relação causal entre posse/porte legais e criminalidade, esta relação é o inverso daquela inculcada pela a Rede Globo e o seu lobby da submissão. Para ler o texto, tente este link.