quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Graças a "ECA" (Estatuto da Criança e do Adolescente), Assim Se Comportam os Monstros com Menos de 18

Oito desaparecidos de favela foram mutilados

Ana Wambier, O Globo Online, 25/1/06

Contando detalhes das torturas a que foram submetidos os oito jovens de Vigário Geral seqüestrados, na madrugada de 13 de dezembro passado, por uma quadrilha da rival Favela de Parada de Lucas, o menor X. participou da reconstituição do crime ontem à tarde. Preso desde o dia 14 de dezembro, ele disse ter ajudado nas sessões de mutilação.

Dos oito jovens levados ? e que ainda estão desaparecidos ? a polícia diz ter absoluta certeza de que pelo menos dois não tinham qualquer relação com o tráfico de drogas. Mesmo assim, disse o delegado da 38 DP (Brás de Pina), Marcos Neves, os dois foram submetidos a torturas.

Menor sorriu e ameaçou família dos seqüestrados

O menor repetiu para os policiais o percurso que ele e os traficantes de Parada de Lucas teriam feito com as oito vítimas seqüestradas. Mostrou as casas de onde os jovens foram retirados à força, em Vigário Geral, e depois o local para onde foram levados. As vítimas foram espancadas e depois sofreram as mutilações numa casa num beco conhecido como Botafogo, em Parada de Lucas.

Segundo sua descrição, primeiro cortaram a língua dos rapazes; depois, cada um dos dedos das mãos; em seguida, as orelhas e, por último, o nariz.

Sempre com um sorriso no rosto, fazendo gestos intimidadores e ameaçando as famílias das vítimas que acompanharam a reconstituição, X. ainda levou os policiais ao lugar em que os jovens teriam sido vistos com vida pela última vez, numa casa na beira do Rio Acari, próximo a um chiqueiro. As vítimas teriam sido entregues a um homem conhecido como Açougueiro. Daí em diante, X. diz não saber o que aconteceu com os jovens.

O trajeto mostrado por X. coincidiu com o indicado mais cedo por um dos sobreviventes. Ele fez a reconstituição usando um capuz, uma capa preta e um colete à prova de balas.

domingo, 23 de outubro de 2005

Uma Vitória, Finalmente, Para o Direito à Defesa da Vida e da Propriedade no Brasil


Maravilha...

Fantásticas as interpretações dadas pelos "especialistas" para a vitória do Não. Qual parte de um "Não" é difícil de entender?

Alguns do campo do Sim já se arrependem da consulta ao povo. Governadora do Rio, Her Rosinha Mateus:

"- Acontece que esse assunto é polêmico e mexe com o emocional das pessoas. Muita gente de bem, lógico, está votando no Não. Como governadora que tenho acesso a estatísticas, pesquisas e projeções, afirmo que o desarmamento agregado a um conjunto de outras medidas é necessário para acabar com a violência. Esse referendo, caso o 'Não' venha a vencer, estará dando uma sobrevida a um segmento que mata, o comércio de armas. Haverá um prazo de carência muito grande para o debate ser retomado e isso é preocupante."

Por que é que o povo do Sim não mostrou essas estatísticas na televisão? Acha o povo muito idiota para entendê-las? Isso demonstra pela enésima vez o elitismo puro da turma do Sim. E a Rosinha, obviamente, é mais uma das celebridades que prega o desarmamento cercada por capangas armados (as custas do povão no caso dela), prontos para puxar o gatilho por ela. É hipocrisia PURA. É difícil ler a opinião dessa gente de estomago vazio.

Comemoremos enquanto podemos, mas voltemos ao trabalho, pois o próximo passo dessa turma será tentar ignorar completamente a vontade do povo. Pode apostar.

sábado, 15 de outubro de 2005

Vai Ser Tendencioso Assim no Inferno

Vejam alguns trechos de uma reportagem do O Globo sobre o aumento da compra legal de armas antes do desarmamento (as pessoas estao percebendo que se o "Sim" ganhar, havera' duas classes de cidadaos no Brasil: os "Com-Arma" e os "Sem-Arma"). Inacreditavel:

"Três meses depois, em julho, as vendas saltaram para 9.800. Em agosto, a escalada armamentista dos cidadãos comuns atingiu o pico: 12.600 armas entregues a um anônimo exército de particulares."

"anônimo exército"?? A quantidade de informacao que voce tem de dar para comprar uma arma legalmente e' uma coisa de doido.

"O crescimento da demanda, um movimento inédito num país em paz há mais de 200 anos, surpreendeu os lojistas."

"num país em paz há mais de 200 anos"?? Paz??! Essa turma do O Globo esta' e' completamente pirada. Os criminosos estao em guerra com a policia e a populacao--ha' batalhas diariamente! Talvez o que e' diferente aqui e' que finalmente o lado das vitimas esta' se armando. Esse jornal e' um absurdo.

sábado, 8 de outubro de 2005

Aristocracia da Bala

Não sei o que é mais incrível sobre este texto... se é o fato do autor ser um jornalista brasileiro... ou se o fato de O Globo ter permitido sua publicação nas suas páginas. Confira--sensacional.
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Aristocracia da bala
O Globo, 8-10-05

REINALDO AZEVEDO

Não sei até quando O GLOBO me atura. Pelo tempo que durar, os leitores verão, jamais adoto o estilo didático. Não sou pastor de idéias. Como no poema de Fernando Pessoa, não pego ninguém no braço e detesto que me peguem. Se Virgílio aparecer, vou com ele ao inferno. Como ele não vem, vou para o diabo sozinho. O bem só é bem se o for no fundamento, no objetivo e nos meios. Falhando um deles, é o contrário. Referendo das armas? Voto "Não". O fundamento é não matar? É bem. O objetivo é reduzir a violência? É bem. O meio implica privar o indivíduo do direito de autodefesa? É o mal que se insinua no bem; é o mal essencial.

Só vi revólver fora do coldre como vítima de assalto. Duas vezes. Numa terceira, estava na casa da minha mãe, ouvi um barulho assustador e saí à rua. Um sujeito tinha dado com o carro no poste. Fui socorrê-lo. Minhas filhas, então com 8 e 6 anos, me seguiram, assustadas e curiosas. O veículo era roubado. Ele saiu atirando na nossa direção. Era um passional. Não entregou seu instrumento de trabalho a Márcio Thomaz Bastos. Deve votar "Sim". Nem todo mundo do "Sim" é como ele, eu sei. Não satanizo os que divergem de mim. Quem vota "Não" é tratado como brucutu. Ah, a intolerância dos tolerantes!

Não tenho nem terei armas. Meu delírio de violência é matar passarinhos. Não sou um homem bom. Tentam mandar em mim com sua rotina anunciando auroras: "Vai dormir, vai dormir." Fico destroncando seus pescocinhos em pensamento como quem conta carneiros. Até apagar. São obsessivos. Eu não acredito em auroras. O dia nasce ainda que não cantem. Que imitem Marilena Chauí ? a que cala, não a que fala.

Faz-se uma pergunta às avessas. É duplipensar orwelliano. Por que não ir ao ponto: "O cidadão deve ter o direito de usar uma arma legal para se defender?" Em vez disso, optou-se pelo "Sim" que é "Não" e pelo "Não" que é "Sim". O referendo é inconstitucional. Não se põe em questão o direito de autodefesa. É raiz gêmea do princípio que preserva um indivíduo de se auto-incriminar. Há uma inviolabilidade do sujeito no estado de direito a que nenhum interesse coletivo se sobrepõe. Mais: as estatísticas em circulação não valem. Consta que a maioria das armas apreendidas com bandidos pertencia a cidadãos comuns. É mesmo? A amostragem é científica? Ora...

Outro argumento é que o homem de bem sempre leva a pior no confronto com marginais. Eis a estóica rendição do indivíduo e do Estado ao crime. Bandido virou dado da paisagem, como o Pão de Açúcar ou o Pico do Jaraguá. Até na Coréia do Norte o cara pode se matar se quiser. Enquanto isso, Bastos não entrega os presídios federais, não tira do papel o Plano Nacional de Segurança nem se move para unificar as polícias. Está ocupado demais tentando nos proteger de nós mesmos--e livrar Lula de encrencas--para nos proteger dos criminosos. Eis o homem.

Proíbam-se as viúvas de tomar Chicabom no portão, e surgirá a máfia das viúvas assassinas. A vitória do "Sim" que é "Não" aproximará o cidadão comum do submundo, que vai lhe fornecer a arma. A proibição só será virtuosa se inócua. Ou imaginemos a eficácia total: arma passa a ser monopólio do Estado e do crime organizado. Como o Estado jamais atende o telefone, bastará ao bandido dotado de seu 'meio de produção' tocar a campainha de nossa casa e levar o que for de seu agrado. Terá estuprado o nosso direito, mas não nos terá matado, como diria Kant. Ou não foi ele? Alguém garante que ficarmos expostos aos bandidos é um mal menor do que eventuais acidentes domésticos com armas?

Queria ser bacana como os artistas do "Sim", alguns sempre acompanhados de seguranças--armados, claro--como cansei de ver no Aeroporto Santos Dumont. Também há empresários simpáticos à causa. A vitória do "Sim" criará a aristocracia da bala: alguns terão o direito constitucional à segurança armada, privada, legal, exercida por empresas. O resto que faça a negociação direta com o crime. É o máximo do Estado mínimo! Já adverti: não valho nada, não quero convencer ninguém, não sou bom e torço em pensamento pescoço de passarinhos.

REINALDO AZEVEDO é jornalista. E-mail: mahfud@uol.com.br.

domingo, 2 de outubro de 2005

Resposta a um Visitante desde Website

"Eu vejo que você é CONTRA o desarmamento, e em seu site pude ver vários argumentos consideraveis... estariam eles tão corretos assim?

De que adianta os ''bandidos'' souberem que a popução não possui armas e para isso nos seguirem até em casa para fazer amizade, se ELES ainda terão armas para realizar atos ilicitos?

Uma grande parte das armas dos ''bandidos'' é obtida com furtos das pessoas que legalmente têm armas, se estas pessoas deixarem suas armas de lado, o numero de armas no Brasil diminuiria, e por consequencia os custos das outras fontes de armas brasileiras, como o mercado negro, subiriam o preço de suas armas, desse modo dificultaria a obtenção de armas dos ''bandidos''.

Já vi argumentos dizendo que existem muitas armas nos EUA, mas comparados com o Brasil os indices de homicidio por armas de fogo são muito mais baixos, mas quem quer comparar EUA com BRA? Os EUA são um pais de 1° mundo, com indices de desigualdade social, falta de educação e etc muitos mais baixos que o Brasil. Os EUA devem ser comparados com paises como o Canadá, onde existe a lei do desarmamento e os indices de homicio são muito mais baixos que os dos EUA. Se existisse outro país com indices de desigualdade social, violencia, etc, como os do Brasil, porém COM a lei do desarmamento em vigor, poderiamos compara-los e ver que seus indices de homicidios por armas de fogo seriam muito mais baixos.

Outra coisa é que de cada 4 pessoas que reagem contra um assalto apenas 1 obtem sucesso. Leavando isso em conta com numeros altos, como 4 milhoes de pessoas, 3 milhoes perderiam suas vidas por causa que reagiram com suas armas de fogo. E como já disse antes o desarmamento diminuirá a quantidade de armas possuida pelos ''bandidos'', isso não acabará com a criminalidade, obviamente, mas diminuirá as mortes por armas de fogo. VocÊ prefere ser assaltado por alguem com uma faca ou por um revolver?

Bem esses são alguns dos argumentos que fazem eu ser A FAVOR do desarmamento. Gostaria de ver o seu lado e que respondesse DIRETAMENTE esses argumentos. Espero também mudar a opnião de muitas pessoas que devem estar lendo essa mensagem nesse momento.

Um comprimento cordial"

Antonio (Algusto dos Santos)
Rio de Janeiro
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Seguem minhas respostas.

ANTONIO: "Uma grande parte das armas dos ''bandidos'' é obtida com furtos das pessoas que legalmente têm armas, se estas pessoas deixarem suas armas de lado, o numero de armas no Brasil diminuiria, e por consequencia os custos das outras fontes de armas brasileiras, como o mercado negro, subiriam o preço de suas armas, desse modo dificultaria a obtenção de armas dos ''bandidos''."

EDITOR: Você está dizendo que a curva de oferta diminuirá enquanto que a curva da demanda ficará imóvel à longo prazo. Ambos provavelmente não ocorrerão. Mesmo que você assuma que parte da oferta será destruída--ou seja, assumindo que civis não terão armas ilegais--, nada indica que os contrabandistas não ocuparão o novo espaço vazio, expandindo o contrabando. E se os preços das armas no mercado negro subirem, isso provavelmente expandirá o contrabando. Os preços poderão até voltar ao que eram pré-desarmamento, e ainda assim os contrabandistas estarão felizes pois estarão vendendo mais armas--aquelas que vendiam pré-desarmamento e aquelas que ocuparão o espaço das armas que antes eram furtadas dos civis. Além disso, a demanda por armas poderá aumentar pois o número de bandidos poderá aumentar--afinal de contas, ninguém nega que roubar e estuprar gente indefesa é mais fácil. Um aumento de demanda aumentaria o preço das armas ilegais--mantendo outras variáveis constantes--, mas os bandidos, por outro lado, estariam extraindo mais bens da população que estaria indefesa após o desarmamento (seria loucura considerar a hipótese de que o governo aumentaria nossa segurança). E os contrabandistas estariam faturando ainda mais já que um aumento da demanda aumentaria o preço e também o número de armas vendidas.

Agora, reconheço que eu e você estamos falando de hipóteses... O que é que a realidade nos mostra? Bom, basta ler o que ocorreu no Reino Unido e na Austrália após a passagem de severas leis anti-armas: Ambos são ilhas, onde o controle de fronteiras é bem mais fácil que no Brasil, e ambos tiveram um aumento vertiginoso das taxas de crimes com e sem armas. O Reino Unido implementou um severo desarmamento em 1997 (no Brasil, o plebiscito decidirá somente sobre a proibição da venda, e se passar, vai criar a classe dos "com-armas" e dos "sem-armas", ou seja, continuará existindo armas nas mãos de civis. Se houver um confisco mais tarde das armas legais existentes, o governo brasileiro terá de pagar valor de mercado por elas, o que custaria centenas de milhares de reais aos cofres públicos). No entanto, entre 1998/99 e 2002/03 a taxa de crimes com armas na Inglaterra e no País de Gales dobrou. Desde 1996, a taxa de crimes violentos subiu 69%; a taxa de assaltos subiu 45% e a taxa de assassinatos subiu 54%. A '2000 International Crime Victimization Survey' mostrou que a taxa de crimes violentos na Inglaterra e no País de Gales era o dobro da norte-americana. A diferença deve ter aumentado já que desde então crimes reportados pela polícia inglesa subiram 35%, enquanto que nos EUA houve uma pequena queda.

ANTONIO: "Já vi argumentos dizendo que existem muitas armas nos EUA, mas comparados com o Brasil os indices de homicidio por armas de fogo são muito mais baixos, mas quem quer comparar EUA com BRA? Os EUA são um pais de 1° mundo, com indices de desigualdade social, falta de educação e etc muitos mais baixos que o Brasil. Os EUA devem ser comparados com paises como o Canadá, onde existe a lei do desarmamento e os indices de homicio são muito mais baixos que os dos EUA. Se existisse outro país com indices de desigualdade social, violencia, etc, como os do Brasil, porém COM a lei do desarmamento em vigor, poderiamos compara-los e ver que seus indices de homicidios por armas de fogo seriam muito mais baixos."

EDITOR: Primeiramente, não existe lei do desarmamento no Canadá. A venda de armas lá para civis é legal. De fato as vendas de armas lá são mais restritas do que nos EUA. Porém desde que o programa de registro de armas começou em 1998, a taxa de homicídios canadense aumentou, enquanto a dos EUA caiu. Os canadenses já gastaram mais de $1 bilhão de dólares no seu registro de armas--500 vezes as estimativas iniciais. Para quê? Ainda assim, as taxas de crimes com armas nos EUA são de fato maiores que as do Canadá. Mas isso se dá ao maior controle de armas no Canadá? O grosso dos crimes violentos norte-americanos acontece em guetos, em geral envolvendo pessoas com ficha criminal--uma faceta social do EUA que não ocorre no seu vizinho do norte. Uma comparação mais homogenia das taxas de homicídios entre os dois países se dá comparando estados americanos ao sul da fronteira EUA-Canadá--Idaho, Montana, Dakota do Norte e Minnesota--com as províncias canadenses ao norte da fronteira--Alberta, Manitoba e Saskatchwan. Neste caso o que se vê é que o controle de armas canadense não teve efeito, apesar de achacar cidadãos de bem, tirar suas liberdades e tomar mais recursos fiscais. Pense nisso lembrando que a posse de metralhadores em Montana é permitida (com licença) e que o porte de armas nas ruas é permitido nos quatro estados americanos mencionados.

ANTONIO: "Outra coisa é que de cada 4 pessoas que reagem contra um assalto apenas 1 obtem sucesso. Leavando isso em conta com numeros altos, como 4 milhoes de pessoas, 3 milhoes perderiam suas vidas por causa que reagiram com suas armas de fogo. E como já disse antes o desarmamento diminuirá a quantidade de armas possuida pelos ''bandidos'', isso não acabará com a criminalidade, obviamente, mas diminuirá as mortes por armas de fogo. VocÊ prefere ser assaltado por alguem com uma faca ou por um revolver?"

EDITOR: A última vez que li sobre números semelhantes a estes, a fonte dos dados havia sido um delegado. Não tenho nada contra delegados, porém conduzir um estudo desses requer instrumentos estatísticos complexos. O maior e mais óbvio problema com esse tipo de estudo é que ele sofre de um gigantesco "viés de amostra". Este tipo de viés pode levá-lo a concluir que um excelente hospital é pior que o centro de saúde da esquina porque o hospital tem uma taxa de mortalidade maior. Os registros policiais praticamente só tomam nota dos casos de defesa mal sucedidos. O sujeito que atira num vagabundo na rua ou que mostra uma arma para um vagabundo e o põe para correr, não vai à delegacia contar sua história. Prof. John Lott Jr., durante estadia na Universidade de Chicago, conduziu uma pesquisa e estimou que nos EUA em 98% dos casos de usos defensivos de armas de fogo, a mera amostra da arma afugentou o agressor. Esta taxa de sucesso já foi revista um pouco para baixo por outros estudos, mas ainda continua na casa dos 85%-95%--bem longe dos 25% que você menciona.

Cordialmente,
Editor

sábado, 10 de setembro de 2005

Um dia normal no Rio

Para os que acham que exagerei ao responder a um visitante dizendo que o Rio de Janeiro já está em guerra civil--apesar de já ser quase impossível comprar armas legalmente diante te todas as barreiras burocráticas--, aqui vão algumas manchetes de um dia "normal" no Rio, publicadas hoje:

- "Acesso ao Rebouças é fechado de novo" (O Globo)
Já é o segundo ou terceiro fechamento da semana

- "Cem PMs vão patrulhar o Morro do Vidigal" (O Globo)
Traficantes estão em "guerra"

- "Forças Armadas farão segurança do Pan de 2007" (O Globo)
Por motivos óbvios: o governo não mais controla a cidade.

- "Mata dominada pelo tráfico" (JB)
Isso é novidade? O que que não está dominado pelo tráfico no Rio?

- "Duas pessoas morrem em ataque a posto da PM em favela de Bonsucesso" (O Globo)
Um dos mortos foi um sargento da PM. Os bandidos estavam armados de fuzis. A venda de fuzis é proibida para civis no Brasil há décadas, com exceções absurdamente burocráticas para colecionadores.

- "Escoltado, coronel visita o Vidigal" (JB)
"Escoltado por 30 policiais armados de pistolas e fuzis, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Hudson de Aguiar Miranda, entrou ontem na mata do Vidigal para assegurar que a corporação não perdeu o domínio sobre a região"

quinta-feira, 18 de agosto de 2005

terça-feira, 14 de junho de 2005

Impunidade e "Justiça Social"

Sou um dos que não acredita nessa história de que a raiz da atual violência fora de controle é a "injustiça social". Qualquer que seja a forma de medir tal injustiça, essa medida não disparou nos últimos 10-15 anos. Mas a violência disparou. O que mudou é que após a abertura democrática houve um aumento alucinado da impunidade. Nossos políticos pós-ditadura simplesmente não acreditam que lugar de bandido é debaixo do chão ou na cadeia. Por conseqüência os menores de idade hoje têm licença para matar, enquanto os maiores de idade têm de caprichar na barbárie para acabarem presos. Nossos governos se metem em milhares de detalhes de nossas vidas, mas cuidar de prisão, não é com eles. Você já ouviu um político falar em construir mais prisões para meramente aplicar as leis existentes? Não, o necessário é "investir no social", e enquanto isso os bandidos ficam soltos. Há três conseqüências dessa atitude. Uma, claro, é o aumento da impunidade. A segunda é que como os bandidos andam soltos, nós, as vítimas, que acabamos trancados. Nossas casas e prédios se tornaram verdadeiras fortalezas. A terceira conseqüência é a justiça feita nas ruas, pelas vítimas que capturam os bandidos e pela polícia, para "compensar" o fato de que a punição oficial inexiste. Desnecessário lembrar que essa justiça popular freqüentemente é bem pior que o crime cometido, fora outros problemas que ela gera. Mas nossas elites não estão nem aí. O que interessa para elas é esperar a chegada da "justiça social" para resolver tudo, independente do nível de barbárie presente. Percebe-se que não há mais um limite de tolerância para a atitude dos bandidos. Na noite do natal passado, bandidos da Rocinha promoveram um show de balas traçantes sobre a favela, e no dia seguinte saiu só uma pequena nota na página 15 do maior jornal do Rio. E a polícia na nota negava qualquer confronto, o que é infelizmente verdade pois ninguém confrontou os atiradores. Nossas elites preferem brincar de roleta russa a abandonar a crença da salvação da justiça social.

quarta-feira, 8 de junho de 2005

Estatísticas que o Ministério da Justiça Não Vai Divulgar Sobre o Desarmamento

Rio, 08 de junho de 2005

O Globo - Caderno Rio - Versão impressa

Número de homicídios subiu 28,9% em março

Ronaldo Braga

O número de homicídios em março subiu 28,9% em relação ao mesmo mês do ano passado, de acordo com dados divulgados ontem pela Secretaria de Segurança. Foram 682 casos, o maior número mensal registrado nos últimos nove anos. A incidência de cinco dos dez crimes destacados no Boletim Mensal de Monitoramento e Análise aumentou comparando-se os dois meses. Além de homicídios, também tiveram alta os registros de assaltos em ônibus (97,3%) e a transeuntes (88,1%), de roubos e furtos de veículos (11,1%) e de latrocínio (52,9%). Houve queda nos casos de roubos de carga (5,7%), de assaltos a bancos (de cinco para quatro), a residências (5,4%) e a lojas (15%). Não foi registrado em março qualquer caso de seqüestro, assim como aconteceu no mesmo mês de 2004.

De acordo com o levantamento, 38,1% dos homicídios dolosos de março deste ano foram registrados na capital; 29,5% na Baixada Fluminense; 20,1% no interior; e 12,3% em Niterói. Do total de registros na capital, 47,3% foram feitos na Zona Norte; 44,6% na Zona Oeste; 4,2% na Zona Sul; e 3,8% no Centro.

O número de assaltos em ônibus subiu de 328 em março de 2004 para 647 no mesmo mês deste ano. Já o total de assaltos a transeuntes passou de 1.529 para 2.876. No caso de roubos e furtos de veículos, foram 4.474 registros em março de 2004 contra 4.970 no mesmo mês deste ano. Já o total de casos de latrocínio passou de 17 para 26.

No caso dos itens que apresentaram queda, o roubo de cargas passou de 244 para 230. Já o número de assaltos a residência caiu de 168 em março de 2004 para 159 no mesmo mês deste ano. E o total de registros de assaltos a lojas passou de 545 para 463.

Também foram divulgados outros números. De janeiro de 1991 até março deste ano, por exemplo, já foram roubados e furtados 682.680 veículos no Estado do Rio. O número de casos no primeiro trimestre deste ano foi 7,4% maior que no mesmo período de 2004 (949 crimes a mais). No levantamento da Secretaria de Segurança Pública, ficou assim o mapa de roubos e furtos em veículos: 67,9% dos casos aconteceram na capital; 16,2% na Baixada; 9,5% em Niterói; e 6.4% no interior. Na capital, a distribuição dos casos ficou assim: 69,1% na Zona Norte; 21,1% na Zona Oeste; 5% na Zona Sul; e 4,7% no Centro.

No caso de assaltos a transeuntes, a Secretaria de Segurança constatou que no primeiro trimestre deste ano já foram registrados 3.492 casos a mais que no mesmo período de 2004, o que significa um aumento de 80,4%. Na capital, 59,1% dos registros foram feitos na Zona Norte; 19% na Zona Oeste; 12,3% no Centro; e 9,6% na Zona Sul.

Já no item assaltos em ônibus, o primeiro trimestre deste ano registrou 1.651 casos, um aumento de 91,8% em relação ao mesmo período de 2004.

Rio, 08 de junho de 2005 Versão impressa


Número de homicídios subiu 28,9% em março

Ronaldo Braga

O número de homicídios em março subiu 28,9% em relação ao mesmo mês do ano passado, de acordo com dados divulgados ontem pela Secretaria de Segurança. Foram 682 casos, o maior número mensal registrado nos últimos nove anos. A incidência de cinco dos dez crimes destacados no Boletim Mensal de Monitoramento e Análise aumentou comparando-se os dois meses. Além de homicídios, também tiveram alta os registros de assaltos em ônibus (97,3%) e a transeuntes (88,1%), de roubos e furtos de veículos (11,1%) e de latrocínio (52,9%). Houve queda nos casos de roubos de carga (5,7%), de assaltos a bancos (de cinco para quatro), a residências (5,4%) e a lojas (15%). Não foi registrado em março qualquer caso de seqüestro, assim como aconteceu no mesmo mês de 2004.

De acordo com o levantamento, 38,1% dos homicídios dolosos de março deste ano foram registrados na capital; 29,5% na Baixada Fluminense; 20,1% no interior; e 12,3% em Niterói. Do total de registros na capital, 47,3% foram feitos na Zona Norte; 44,6% na Zona Oeste; 4,2% na Zona Sul; e 3,8% no Centro.

O número de assaltos em ônibus subiu de 328 em março de 2004 para 647 no mesmo mês deste ano. Já o total de assaltos a transeuntes passou de 1.529 para 2.876. No caso de roubos e furtos de veículos, foram 4.474 registros em março de 2004 contra 4.970 no mesmo mês deste ano. Já o total de casos de latrocínio passou de 17 para 26.

No caso dos itens que apresentaram queda, o roubo de cargas passou de 244 para 230. Já o número de assaltos a residência caiu de 168 em março de 2004 para 159 no mesmo mês deste ano. E o total de registros de assaltos a lojas passou de 545 para 463.

Também foram divulgados outros números. De janeiro de 1991 até março deste ano, por exemplo, já foram roubados e furtados 682.680 veículos no Estado do Rio. O número de casos no primeiro trimestre deste ano foi 7,4% maior que no mesmo período de 2004 (949 crimes a mais). No levantamento da Secretaria de Segurança Pública, ficou assim o mapa de roubos e furtos em veículos: 67,9% dos casos aconteceram na capital; 16,2% na Baixada; 9,5% em Niterói; e 6.4% no interior. Na capital, a distribuição dos casos ficou assim: 69,1% na Zona Norte; 21,1% na Zona Oeste; 5% na Zona Sul; e 4,7% no Centro.

No caso de assaltos a transeuntes, a Secretaria de Segurança constatou que no primeiro trimestre deste ano já foram registrados 3.492 casos a mais que no mesmo período de 2004, o que significa um aumento de 80,4%. Na capital, 59,1% dos registros foram feitos na Zona Norte; 19% na Zona Oeste; 12,3% no Centro; e 9,6% na Zona Sul.

Já no item assaltos em ônibus, o primeiro trimestre deste ano registrou 1.651 casos, um aumento de 91,8% em relação ao mesmo período de 2004.

domingo, 5 de junho de 2005

Guerra Civil no Rio

Enquanto antes da Segunda Guerra Churchill disse, em pronunciamento para os EUA, "Britain must arm, America must arm" (10/16/1938), nossos grandes estadistas, já em plena guerra civil, dizem "o brasileiro tem de se desarmar". Já dá para ver, com a liderança que aí está, quem vai ganhar nossa atual guerra.

Enquanto isso no Rio, mais um dia, mais uma batalha...
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Tiroteio no Centro fecha ruas e fere morador

O Globo - 04/06/2005 - 22h05m

RIO - Tiros, granadas e perseguição levaram pânico este sábado às ruas do Centro do Rio. O suposto seqüestro de um policial civil por traficantes do Morro da Providência mobilizou cerca de 60 policiais militares, um helicóptero e dois carros blindados. O policial teria sido assaltado na Rua do Livramento, segundopoliciais da Coordenadoria de Operações Especiais (Core) que participaram da operação. Apenas um contra-cheque do policial foi encontrado na favela.

O suposto seqüestro mobilizou cerca de 60 policiais militares, um helicóptero e dois carros blindados. Segundo primeiras informações da PM, o policial civil teria sido seqüestrado em represália a uma perseguição a bandidos feita por policiais do 5BPM (Praça da Harmonia) momentos antes, no Morro do Pinto, vizinho ao Morro da Providência. Após duas horas de intenso tiroteio, a PM informara que o policial fora resgatado por PMs na localidade conhecida por Caixa D´água. Agora há pouco, policiais da Core disseram que apenas os documentos do policial civil estavam no alto do morro.

Durante o tiroteio, Franscisco José Bezerra, de 33 anos, morador da Providência, foi baleado no braço. Vander Santiago da Silva de Oliveira Silba, 23 anos, um dos sequestradosres, segundo a polícia, foi baleado nas nádegas. Os dois foram levados para o Hospital Souza Aguiar.

O conflito teve início na tarde deste sábado, quando policiais do 5º BPM (Praça da Harmonia) patrulhavam o Morro do Pinto, no Centro e abordaram uma picape S10 com três homens. Ao se aproximarem do carro, os policiais foram recebidos a tiro pelos bandidos. A perseguição seguiu pelas ruas Francisco Bicalho, Rodrigues Alves até o bairro de Santo Cristo, no Centro. Na Vila Portuária, um dos acessos ao Morro da Providência, os bandidos abandonaram a picape e fugiram a pé para o interior da favela. Os policiais ainda tentaram entrar no morro, mas foram recebidos a bala e tiveram que recuar. O carro apresentava marca de sangue, mas até o final da noite de ontem nenhum homem suspeito baleado foi socorrido em hospitais públicos do Rio. Segundo a polícia, o carro foi roubado na noite de sexta-feira, no Largo de Santo Cristo.

Já na 4ª DP (Central), para onde levaram a picape, os policiais militares foram avisados de que uma denúncia anônima tinha sido feita ao 5 BPM (Praça da Harmonia) dando conta de que um policial civil tinha sido sequestrado em seu carro, um Siena, na Rua do Livramento. Ainda segundo a denúncia, o carro do policial estaria abandonado na localidade conhecida por Laje, na Rua Barão da Gamboa. Com o reforço de policiais de três batalhões, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e o apoio de um helicóptero e dois carros blindados, eles voltaram ao Morro da Providência para checar a denúncia. Quando se aproximaram da favela, teve início uma intensa troca de tiros. Os bandidos lançaram pelo menos dez granadas contra os policiais.

O Viaduto 31 de Março e Rua Waldemar Dutra, acessos ao Viaduto São Sebastião foram interditados. Do outro lado do Morro da Providência, na Gamboa, a polícia interditou a Rua Barão da Gamboa. Os policiais chegaram a arrombar o portão do Cemitério dos Ingleses para ter acesso ao morro. A troca de tiros durou pelo menos duas horas até o resgate do policial, na localidade conhecida por Caixa D'água.