E falando de patológica arrogância para com a realidade, essa estatística repetida por anti-armas de que 70, 80 ou 90 por cento--o que quer que seja--dos homicídios são perpetrados por pessoas normais, com armas legais, num surto de raiva, é um dos números mais loucos que já ouvi. Mas essa estatística está sendo repetida o suficiente pra se tornar, em breve, verdade incontestável.
quinta-feira, 11 de setembro de 2003
Uma coisa que me surpreende muito nos brasileiros, mesmo entre os bem educados (supostamente), é a sua paixão por novas leis. Pior ainda, as pessoas não veem dois palmos diante do nariz as conseqüências das novas leis que defendem, e nada se importam com a utilização das leis já existentes. Proibir, por exemplo, a posse de armas dentro de casa, mesmo com o respaldo de um plebiscito, vai simplesmente informalizar por completo o comércio de armas. Num país onde já há tanta informalidade--na moradia, no comércio varejista, na manufatura, na importação, no transporte público--, porque achar que essa não será mais uma? Por que achar que tal proibição vai trazer qualquer vantagem pra um governo que perderá por todo o controle sobre a aquisição de armas? Com tanta evidência nas nossas caras de que a informalidade brota toda vez que a gente cria barreiras legais e/ou onerosas pra vida formal, a defesa da proibição da venda de armas mostra uma patológica arrogância para com a realidade.
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12:04 PM
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segunda-feira, 18 de agosto de 2003
É impressionante o que se diz de besteira quando o tema é estatística. Pra dar uma idéia ao leitor, semana passada ouvi um repórter da CBN entrevistar uma figura responsável pela a colocação, no estado do Rio, de placas de sinalização de trânsito que serão mais fáceis de se ler do que as atuais. A idéia é facilitar a vida dos turistas pra evitar, por exemplo, que eles tomem a saída da Linha Vermelha que leva ao Complexo da Maré. O entrevistado justificou a iniciativa com uma pesquisa de turistas internacionais, feita no Rio, onde os turistas indicavam que a sujeira, o precário transporte público e a má sinalização eram problemas maiores do que a violência. O repórter achou bizarro a violência vir em quarto lugar, mas não questionou a pesquisa.
Ora, é claro que essa pesquisa tem um enorme problema: uma amostragem extremamente tendenciosa. O sujeito que faz turismo numa das cidades mais violentas do mundo é por definição alguém que, por uma razão ou outra, menospreza o problema da violência. O ideal seria entrevistar potenciais turistas como um todo. O Rio perde milhares de turistas por ano por causa da violência e não por causa da má sinalização do trânsito.
O mais triste dessa história é que os estudos brasileiros suportando o desarmamento civil sofrem de falhas idênticas. Será que algum pesquisador do Viva Rio ou delegado metido a estatístico vai pegar uma cópia do "More Guns, Less Crime" pra evitar esse tipo de falha numa pesquisa criminalística? Tenha a certeza absoluta de que não. Mesmo que ele ou ela quisesse, a pessoa seria demitida imediatamente.
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1:37 AM
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domingo, 17 de agosto de 2003
Neste final de semana o programa Espaço Aberto com o Alexandre Garcia, da Globo News, chamou o secretário nacional de segurança, Luis Eduardo Soares, e o sociólogo Artur Trindade (professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília) para "debater" o uso, o comércio e o porte de armas no Brasil. Eu não estou brincando--a Globo chamou esse programa de "debate". Um nome melhor seria 'piada'. Pro leitor sentir o nível do atual secretário nacional de segurança, o programa começou com o Alexandre Garcia tendo de explicar pro cara a definição correta do termo 'armas leves'. Depois foi aquela ladainha de estatísticas que caem em dois grupos: as falsas e as irrelevantes. Agora, a Globo conseguir chamar isso de debate foi o melhor exemplo de que a última coisa que essa turma quer é debater qualquer coisa. Pra manter o nível a Globo deveria chamar o KIM Chong-il e o Fidel Castro pra um debate sobre liberdade de expressão.
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11:49 PM
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quarta-feira, 6 de agosto de 2003
A legislatura do estado do Rio está aprovando um aumento do ICMS sobre armas de fogo. O ICMS deve ficar em torno de 200%. Esta é mais uma iniciativa da demagógica governadora do Rio, Rosinha Garotinho. Ontem à noite o diretor de Bangu III foi brutalmente executado, perante dezenas de testemunhas, na Avenida Brasil. A criminalidade no Rio está completamente fora de controle. E, no entanto, o grande alarde dos políticos do Rio é uma lei que só vai prevenir a obtenção legal de armas por cidadãos honestos e pobres. Desarmar bandidos é o que essa lei não irá fazer. Mas os políticos se divertem passando leis que só desarmam vítimas da violência, enquanto que eles andam com seguranças. A ajuda que os políticos cariocas dão ao banditismo é tão ou mais absurda do que a própria violência descontrolada. Não me surpreenderia saber que já tem dinheiro do narcotráfico ajudando a eleger muitas dessas figuras.
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11:19 AM
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quarta-feira, 30 de julho de 2003
Ainda sobre O Globo, o jornal escreveu num editorial pro-desarmamento civil de segunda-feira que "diante de dados irrefutáveis, deputados e senadores se convenceram da necessidade de começar a desarmar os brasileiros". Dados irrefutáveis? São irrefutáveis porque os editores do jornal se recusam a publicar qualquer entrevista ou pesquisa refutando os defensores da proibição do porte e da posse legal de armas. Daí então o termo "dados irrefutáveis". John R. Lott, Jr. já publicou vários artigos acadêmicos e dois livros ("More Guns, Less Crime" e "The Bias Against Guns") sobre a queda de crimes violêntos nos estados americanos que emitem portes pra qualquer cidadão que passasse por uma série de qualificações objetivas. O professor de direito e economia expôs sua carreira acadêmica ao publicar tal material. Ele foi demitido da Universidade de Chicago? Não--acabou convidado pra dar aula em Yale, onde trabalha atualmente. Já que o tema violência é de tanta importância pros brasileiros, porque que O Globo não entrevista esse cara, um dos maiores especialistas no assunto? Tem gente que fica chocada com os detalhes históricos da manipulação das informações que ocorria nos países comunistas e na Alemanha nazista. Mas essa gente não fica chocada com a manipulação atual. Acham naturalíssima ou acham que o outro lado do debate é irrelevante. Mas a manipulação do O Globo e da Rede Globo é gritante. Todos contra o desarmamento das vítimas da violência são membros do lobby das armas; aqueles a favor são "os especialistas". Os dados a favor do desarmamento civil são "irrefutáveis", quando na verdade esses dados não vêm de qualquer fonte acadêmica--muito pelo contrário, ou a fonte do dado é desconhecida pois é uma mentira que já foi repetida mil vezes e se tornou verdade, ou ela é um grupo ou pessoa abertamente a favor desarmamento civil, tipo Rubens César Fernandes.
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12:51 PM
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Veja se não está tudo trocado no Brasil. O coordenador de segurança do complexo penitenciário de Bangu, Paulo Rocha, é assassinado a tiros no seu carro, na Avenida Brasil do Rio, e O Globo dedica 60 palavras ao tema na primeira página. No interior do jornal, a cobertura foi de meia página. Cinco dias depois é assassinado em Bangu 3 o "Marcinho VP". O Globo ontem, na sua primeira página, tinha 150 palavras e duas fotos dedicadas à morte do bandido. No interior do jornal a cobertura foi de duas páginas. A cobertura extensiva do assunto continuou na rádio CBN de ontem e no jornal de hoje--com outra página inteira.
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10:41 AM
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sexta-feira, 18 de julho de 2003
A enxurrada de mentiras e baboseiras continua diante da aprovação do "Estatuto do Desarmamento", que eu prefiro chamar de "Estatuto do Desarme das Vítimas da Violência". A Globo, como sempre, é a locomotiva do desarmamento civil. Ninguém em sã conciência pode achar que a proibição do porte por civis que passam por todas as exigências burocráticas vai diminuir a violência. E não é preciso ser um engenheiro aeroespacial pra achar que na verdade tal proibição vai piorar a violência. Ou o pessoal da Globo é muito burro, ou então são mais um exemplo clássico de crentes seculares que acreditam na criação do paraíso na terra. Num país que se caracteriza pelo fenômeno de 'favelização', isto é, pelo informalismo--seja ele no mercado de moradias, no mercado de transporte público, no mercado de comércio varejista, no mercado de mão de obra--, nós estamos a caminho da informalização completa da defesa pessoal de civis, tanto nas ruas como dentro de casa. Eu ou alguém mais vai deixar de defender a própria família contra estupro ou ameaça de morte porque Luiz Eduardo Greenhalgh ou a maioria absoluta dos meus compatriotas desejam tal nível de submissão? A resposta me parece obvia. A proibição do porte por civis e a criação da 'prova de necessidade' pra ter arma em casa vão aumentar o número de transgressões das leis, tanto por parte dos bandidos, que serão mais audazes, como por parte das vítimas, que recorrerão ao mercado negro pra se defender.
Os anti-armas dão argumentos absurdos. Um deles diz que os bandidos são profissionais usuários de armas e que portanto eu não tenho chances contra eles, ou então que as minhas chances de reação são tão pequenas que o meu direito a auto-defesa não merece existir. Esse argumento erra em vários pontos. Primeiro porque eu tenho chances contra eles. Se alguém quebrar uma janela da minha casa pra entrar aqui a noite, o sujeito vai morrer com certeza. Reconheço que nem sempre a vítima é notificada do que vai ocorrer, mas dizer que ela 'não' tem chance contra o bandido é mentira. Segundo, esse argumento erra ao achar que o meu direito inalienável à auto-defesa está condicionado a minha habilidade superba de exercê-lo. Não está. Desde quando somente autores de livros e jornalistas podem excercer o direito de expressão? Desde quando somente advogados e cientistas políticos têm o direito de representar o povo numa legislatura? O outro argumento absurdo diz que nós devemos proibir a venda de armas porque os bandidos, na grande maioria, usam armas roubadas. Ora, se esse argumento for válido, a lista de produtos a serem banidos é longa. Vamos começar pela as motos e carros. A grande maioria dos crimes são cometidos com o uso de motos e carros roubados. Todos nós podemos nos transportar usando táxis e ônibus que são conduzidos por profissionais. A analogia então com as armas é perfeita. Deveriamos também banir todos os pequenos objetos de alto valor, como jóias, relógios caros, laptops etc. Praticamente todos esses objetos nas mãos de bandidos--como lembra o Rubens Lessa no livro de visitantes desse site--são roubados. Além disso, eles facilitam tremendamente a angariação de fundos ilícitos que ajudam a armar a bandidagem com o que há de melhor. A gente não pode punir praticamente toda a população porque menos de 1% dela faz uso ilícito de um produto. Sou a favor de aumentar a punição daqueles que fazem uso ilícito de armas--roubadas ou não--, mas não de punir a população inteira por esse uso ilícito que ela não exerce. O mais ridículo desse argumento é que está perfeitamente claro que os bandidos estão se armando fortemente com produtos que não se encontram nas lojas brasileiras. Ou seja, mesmo antes de uma proibição total da venda LEGAL de armas, o lucrativo contrabando já está despejando nas grandes cidades uma quantidade monstruosa de armas e munições vindas de fora do país. Os calibres chamados de 'permitidos' pelo exército são o mínimo que se aconselha no uso defensivo--ou ofensivo--e os bandidos estão reagindo a esse fato. Se a proibição da venda legal de armas produzisse uma escassez no mercado negro, os bandidos reagiriam com uma ampliação do contrabando? Claro que sim. Aqueles que matam, estupram e sequestram pouco se importam com a origem das suas ferramentas de trabalho. Só as vítimas saem perdendo com o fim do comércio legal de armas pois ou elas se rendem de cara pros bandidos ou então usam uma arma e acabam presas numa cela cheia de criminosos.
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8:41 AM
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sexta-feira, 11 de julho de 2003
Hoje de madrugada bandidos mataram quatro seguranças de empresas privadas aqui no Rio. Pelo o jeito o poder de fogo vastamente superior dos bandidos explica as mortes. É diante desse quadro--bandidos super bem armados, população ordeira mal armada--que se fala em acabar com a venda legal de armas. Ou seja, agora você nem poderá comprar um .38, enquanto que os bandidos continuarão andando por aí de fuzil, pistolas .40 S&W etc. Ah, mas segundo o governo, isso é pro nosso próprio bem, pois nós não temos cérebro suficiente pra saber reagir! Quem sabe reagir são policiais à paisana, juízes, promotores, legisladores etc--isto é, membros do governo, com sua sabedoria imensamente superior àquela dos que produzem riquezas e pagam impostos. Mas faz sentido: os inteligentes cagam as regras enquanto que nós, contribuintes burros, ficamos à mercê dos bandidos e governo.
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4:41 PM
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terça-feira, 8 de julho de 2003
A Rede Bobo continua sem o menor pingo de vergonha na cara a sua campanha pela a proibição da posse legal de armas. Quando ela toca no assunto no Jornal Nacional, só entrevista "especialistas" contra a medida; a idéia de entrevistar o economista e professor de direito John Lott, nem por cinco minutos, está longe de acontecer, apesar da enorme importância dos projetos de lei que agora o congresso discute. É até risível o nível de parcialidade da emissora. As pessoas que acham que tal proibição não vai adiantar nada estão enganadas. A proibição do porte e da posse de armas vai PIORAR a violência tremendamente. E essa piora levará o governo à sugerir medidas mais draconianas como "um amargo remédio necessário". No Brasil a gente já viu esse filme uma centena de vezes.
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12:03 PM
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