domingo, 11 de junho de 2006

A Vaca Foi Pro Brejo


Bom, a soltura do assassino confesso e condenado, jornalista Paulo Antônio Pimenta Neves, da assassina dos próprios pais, Suzane Luise von Richthofen, e o financiamento, pelo governo Lula, da depredação do Congresso, provam além de sombra de dúvida que a vaca não só já "marchou" para o brejo (como diria Olavo de Carvalho), como já chegou lá. No Brasil os "direitos" dos bandidos, ou suspeitos confessos, são levados a um extremo--tanto pelas nossas leis horrorosas como pelos nossos juízes interessados em levar adiante o que eles chamam de "justiça social", que de justo e social não tem nada--que não tem igual no mundo. E o governo Lula se assemelha mais e mais com nazistas (cujo o nome vem de Nacional Socialista em alemão), financiando grupos que cometem atos terroristas, fechando os olhos para as atrocidades que estes grupos cometem e jogando a máquina federal sobre todos que ousam erguer um dedo contra essa turma.

quinta-feira, 9 de março de 2006

MST: Bando de Criminosos

A meu ver a Aracruz Celulose deveria ter usado força letal para proteger sua propriedade. Isso não pode continuar, e o governo dá aval a estes bárbaros. Barbáros só entendem força, e um pouquinho de força teria evitado essa destruição. Um rifle AR-15 e dois pentes de 30 balas teriam parado essas 2,000 pessoas. Uma pena que só bandidos e a polícia possam ter tal armamento. Não é por acaso que bandidos agem livremente no Brasil: a população não tem o direito de parar os criminosos, e após o fato o governo, 99% dos casos, não pune os criminosos. Para piorar a situação neste caso, o governo PT dá total apoio ao banditismo do MST (isso a esta altura é mais do que evidente).
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O Globo - Rio, 09 de março de 2006 - Versão impressa


Sem-terra encapuzados fazem vandalismo no RS

Chico Oliveira

PORTO ALEGRE. O MST, o Movimento das Mulheres Camponesas e a Via Campesina, reforçados por manifestantes estrangeiros que participam em Porto Alegre do Fórum Terra, Território e Dignidade, fizeram atos de violência ontem no Rio Grande do Sul. De madrugada, duas mil pessoas, a maior parte mulheres da Via Campesina e do Movimento das Mulheres Camponesas, depredaram o laboratório e o viveiro florestal da Aracruz Celulose em Barra do Ribeiro, a 56 quilômetros da capital.

Foi destruído todo o material genético resultante de cruzamentos que vinham sendo feitos há 20 anos para melhorar a produtividade das plantações de eucalipto que abastecem a fábrica de celulose de Guaíba. Foram destruídas também quatro milhões de mudas da área de distribuição para plantio. As mulheres usaram armas artesanais para dominar e amarrar dois seguranças e espalharam 500 quilos de sementes pelo chão, inviabilizando as pesquisas.

? Foi banditismo. Quando se apresentam escondidos por capuzes, é bandidagem ? reagiu o governador em exercício, Antonio Hohlfeldt.

? Perdemos matrizes que vinham sendo feitas há 20 anos e não podem mais ser recuperadas. Eles sabiam o que faziam, destruíram os lugares estratégicos ? disse o gerente regional florestal da Aracruz Celulose, Renato Alfonso Rostirolla.

Dali, os militantes foram para Porto Alegre, tentaram invadir um McDonalds e forçaram a entrada na PUC, onde se realiza a II Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural, promovida pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. O grupo enfrentou a Brigada Militar usando galhos de árvores. Não houve feridos. Depois de uma negociação, comandada por uma mulher que falava espanhol, entrou no prédio uma delegação de 50 pessoas para entregar um manifesto.

Pouco antes, em Coqueiros do Sul, a 320 quilômetros de Porto Alegre, cerca de 500 sem-terra tentaram invadir a sede da Fazenda Guerra, ocupada pelo MST. Eles marcharam contra a Brigada Militar armados com foices, espingardas, coquetéis molotov, usando tocas ninja e escudos de lata.

Governo teme que fábrica deixe de investir no estado

Hohlfeldt teme que a Aracruz deixe de investir no Rio Grande do Sul mais de US$ 1,2 bilhão para implantar uma segunda unidade industrial de celulose. Ele denunciou a Polícia Rodoviária Federal por não informar a passagem 38 ônibus com manifestantes por um posto policial na estrada. A PRF informou que não viu os ônibus, que teriam utilizado vias secundárias.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Planalto gasta R$ 589 mil em munição

Nada de errado em treinar para se defender, e dá continuidade ao estilo de pura e total hipocrisia do governo Lula, já que esta administração limitou a compra legal de balas a 50 (repito, 50) por ano, por cidadão.
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Planalto gasta R$ 589 mil em munição

Cristiane Jungblut, O Globo 15Fev06

BRASÍLIA. O Palácio do Planalto abriu licitação para a compra de munição para o Departamento de Segurança do Gabinete Institucional, no valor total de R$ 589,9 mil. As balas serão usadas pelos seguranças na proteção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao vice José Alencar e a seus familiares.

A munição será distribuída no Departamento de Segurança de Brasília e nos escritórios de segurança em São Bernardo do Campo (SP) e em Florianópolis (SC). A residência do presidente Lula em São Paulo é em São Bernardo do Campo, onde o presidente costuma passar fins de semana. Segundo integrantes do governo, em Florianópolis residem familiares de Lula. O GSI é responsável pela segurança nas residências oficiais de Lula (Palácio da Alvorada e Granja do Torto em Brasília) e do vice (Palácio do Jaburu), em Brasília. Há ainda a segurança do Palácio do Planalto e de seus anexos. A lei garante segurança especial à autoridade e a seus familiares.

Na extensa lista, estão 201 mil cartuchos 9 mm; 23 mil de 45 mm e 1 mil cartuchos de festim. São 313 mil cartuchos, de diferentes calibres. Informalmente, o Planalto disse que se trata de renovação da munição da segurança. Mas o GSI deverá dar resposta oficial hoje. A maior parte da munição ficará em Brasília. O valor de R$ 589,9 mil é uma estimativa, mas as empresas apresentarão ofertas na licitação. O pregão eletrônico 032/2006 está marcado para o dia 6.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Graças a "ECA" (Estatuto da Criança e do Adolescente), Assim Se Comportam os Monstros com Menos de 18

Oito desaparecidos de favela foram mutilados

Ana Wambier, O Globo Online, 25/1/06

Contando detalhes das torturas a que foram submetidos os oito jovens de Vigário Geral seqüestrados, na madrugada de 13 de dezembro passado, por uma quadrilha da rival Favela de Parada de Lucas, o menor X. participou da reconstituição do crime ontem à tarde. Preso desde o dia 14 de dezembro, ele disse ter ajudado nas sessões de mutilação.

Dos oito jovens levados ? e que ainda estão desaparecidos ? a polícia diz ter absoluta certeza de que pelo menos dois não tinham qualquer relação com o tráfico de drogas. Mesmo assim, disse o delegado da 38 DP (Brás de Pina), Marcos Neves, os dois foram submetidos a torturas.

Menor sorriu e ameaçou família dos seqüestrados

O menor repetiu para os policiais o percurso que ele e os traficantes de Parada de Lucas teriam feito com as oito vítimas seqüestradas. Mostrou as casas de onde os jovens foram retirados à força, em Vigário Geral, e depois o local para onde foram levados. As vítimas foram espancadas e depois sofreram as mutilações numa casa num beco conhecido como Botafogo, em Parada de Lucas.

Segundo sua descrição, primeiro cortaram a língua dos rapazes; depois, cada um dos dedos das mãos; em seguida, as orelhas e, por último, o nariz.

Sempre com um sorriso no rosto, fazendo gestos intimidadores e ameaçando as famílias das vítimas que acompanharam a reconstituição, X. ainda levou os policiais ao lugar em que os jovens teriam sido vistos com vida pela última vez, numa casa na beira do Rio Acari, próximo a um chiqueiro. As vítimas teriam sido entregues a um homem conhecido como Açougueiro. Daí em diante, X. diz não saber o que aconteceu com os jovens.

O trajeto mostrado por X. coincidiu com o indicado mais cedo por um dos sobreviventes. Ele fez a reconstituição usando um capuz, uma capa preta e um colete à prova de balas.

domingo, 23 de outubro de 2005

Uma Vitória, Finalmente, Para o Direito à Defesa da Vida e da Propriedade no Brasil


Maravilha...

Fantásticas as interpretações dadas pelos "especialistas" para a vitória do Não. Qual parte de um "Não" é difícil de entender?

Alguns do campo do Sim já se arrependem da consulta ao povo. Governadora do Rio, Her Rosinha Mateus:

"- Acontece que esse assunto é polêmico e mexe com o emocional das pessoas. Muita gente de bem, lógico, está votando no Não. Como governadora que tenho acesso a estatísticas, pesquisas e projeções, afirmo que o desarmamento agregado a um conjunto de outras medidas é necessário para acabar com a violência. Esse referendo, caso o 'Não' venha a vencer, estará dando uma sobrevida a um segmento que mata, o comércio de armas. Haverá um prazo de carência muito grande para o debate ser retomado e isso é preocupante."

Por que é que o povo do Sim não mostrou essas estatísticas na televisão? Acha o povo muito idiota para entendê-las? Isso demonstra pela enésima vez o elitismo puro da turma do Sim. E a Rosinha, obviamente, é mais uma das celebridades que prega o desarmamento cercada por capangas armados (as custas do povão no caso dela), prontos para puxar o gatilho por ela. É hipocrisia PURA. É difícil ler a opinião dessa gente de estomago vazio.

Comemoremos enquanto podemos, mas voltemos ao trabalho, pois o próximo passo dessa turma será tentar ignorar completamente a vontade do povo. Pode apostar.

sábado, 15 de outubro de 2005

Vai Ser Tendencioso Assim no Inferno

Vejam alguns trechos de uma reportagem do O Globo sobre o aumento da compra legal de armas antes do desarmamento (as pessoas estao percebendo que se o "Sim" ganhar, havera' duas classes de cidadaos no Brasil: os "Com-Arma" e os "Sem-Arma"). Inacreditavel:

"Três meses depois, em julho, as vendas saltaram para 9.800. Em agosto, a escalada armamentista dos cidadãos comuns atingiu o pico: 12.600 armas entregues a um anônimo exército de particulares."

"anônimo exército"?? A quantidade de informacao que voce tem de dar para comprar uma arma legalmente e' uma coisa de doido.

"O crescimento da demanda, um movimento inédito num país em paz há mais de 200 anos, surpreendeu os lojistas."

"num país em paz há mais de 200 anos"?? Paz??! Essa turma do O Globo esta' e' completamente pirada. Os criminosos estao em guerra com a policia e a populacao--ha' batalhas diariamente! Talvez o que e' diferente aqui e' que finalmente o lado das vitimas esta' se armando. Esse jornal e' um absurdo.

sábado, 8 de outubro de 2005

Aristocracia da Bala

Não sei o que é mais incrível sobre este texto... se é o fato do autor ser um jornalista brasileiro... ou se o fato de O Globo ter permitido sua publicação nas suas páginas. Confira--sensacional.
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Aristocracia da bala
O Globo, 8-10-05

REINALDO AZEVEDO

Não sei até quando O GLOBO me atura. Pelo tempo que durar, os leitores verão, jamais adoto o estilo didático. Não sou pastor de idéias. Como no poema de Fernando Pessoa, não pego ninguém no braço e detesto que me peguem. Se Virgílio aparecer, vou com ele ao inferno. Como ele não vem, vou para o diabo sozinho. O bem só é bem se o for no fundamento, no objetivo e nos meios. Falhando um deles, é o contrário. Referendo das armas? Voto "Não". O fundamento é não matar? É bem. O objetivo é reduzir a violência? É bem. O meio implica privar o indivíduo do direito de autodefesa? É o mal que se insinua no bem; é o mal essencial.

Só vi revólver fora do coldre como vítima de assalto. Duas vezes. Numa terceira, estava na casa da minha mãe, ouvi um barulho assustador e saí à rua. Um sujeito tinha dado com o carro no poste. Fui socorrê-lo. Minhas filhas, então com 8 e 6 anos, me seguiram, assustadas e curiosas. O veículo era roubado. Ele saiu atirando na nossa direção. Era um passional. Não entregou seu instrumento de trabalho a Márcio Thomaz Bastos. Deve votar "Sim". Nem todo mundo do "Sim" é como ele, eu sei. Não satanizo os que divergem de mim. Quem vota "Não" é tratado como brucutu. Ah, a intolerância dos tolerantes!

Não tenho nem terei armas. Meu delírio de violência é matar passarinhos. Não sou um homem bom. Tentam mandar em mim com sua rotina anunciando auroras: "Vai dormir, vai dormir." Fico destroncando seus pescocinhos em pensamento como quem conta carneiros. Até apagar. São obsessivos. Eu não acredito em auroras. O dia nasce ainda que não cantem. Que imitem Marilena Chauí ? a que cala, não a que fala.

Faz-se uma pergunta às avessas. É duplipensar orwelliano. Por que não ir ao ponto: "O cidadão deve ter o direito de usar uma arma legal para se defender?" Em vez disso, optou-se pelo "Sim" que é "Não" e pelo "Não" que é "Sim". O referendo é inconstitucional. Não se põe em questão o direito de autodefesa. É raiz gêmea do princípio que preserva um indivíduo de se auto-incriminar. Há uma inviolabilidade do sujeito no estado de direito a que nenhum interesse coletivo se sobrepõe. Mais: as estatísticas em circulação não valem. Consta que a maioria das armas apreendidas com bandidos pertencia a cidadãos comuns. É mesmo? A amostragem é científica? Ora...

Outro argumento é que o homem de bem sempre leva a pior no confronto com marginais. Eis a estóica rendição do indivíduo e do Estado ao crime. Bandido virou dado da paisagem, como o Pão de Açúcar ou o Pico do Jaraguá. Até na Coréia do Norte o cara pode se matar se quiser. Enquanto isso, Bastos não entrega os presídios federais, não tira do papel o Plano Nacional de Segurança nem se move para unificar as polícias. Está ocupado demais tentando nos proteger de nós mesmos--e livrar Lula de encrencas--para nos proteger dos criminosos. Eis o homem.

Proíbam-se as viúvas de tomar Chicabom no portão, e surgirá a máfia das viúvas assassinas. A vitória do "Sim" que é "Não" aproximará o cidadão comum do submundo, que vai lhe fornecer a arma. A proibição só será virtuosa se inócua. Ou imaginemos a eficácia total: arma passa a ser monopólio do Estado e do crime organizado. Como o Estado jamais atende o telefone, bastará ao bandido dotado de seu 'meio de produção' tocar a campainha de nossa casa e levar o que for de seu agrado. Terá estuprado o nosso direito, mas não nos terá matado, como diria Kant. Ou não foi ele? Alguém garante que ficarmos expostos aos bandidos é um mal menor do que eventuais acidentes domésticos com armas?

Queria ser bacana como os artistas do "Sim", alguns sempre acompanhados de seguranças--armados, claro--como cansei de ver no Aeroporto Santos Dumont. Também há empresários simpáticos à causa. A vitória do "Sim" criará a aristocracia da bala: alguns terão o direito constitucional à segurança armada, privada, legal, exercida por empresas. O resto que faça a negociação direta com o crime. É o máximo do Estado mínimo! Já adverti: não valho nada, não quero convencer ninguém, não sou bom e torço em pensamento pescoço de passarinhos.

REINALDO AZEVEDO é jornalista. E-mail: mahfud@uol.com.br.

domingo, 2 de outubro de 2005

Resposta a um Visitante desde Website

"Eu vejo que você é CONTRA o desarmamento, e em seu site pude ver vários argumentos consideraveis... estariam eles tão corretos assim?

De que adianta os ''bandidos'' souberem que a popução não possui armas e para isso nos seguirem até em casa para fazer amizade, se ELES ainda terão armas para realizar atos ilicitos?

Uma grande parte das armas dos ''bandidos'' é obtida com furtos das pessoas que legalmente têm armas, se estas pessoas deixarem suas armas de lado, o numero de armas no Brasil diminuiria, e por consequencia os custos das outras fontes de armas brasileiras, como o mercado negro, subiriam o preço de suas armas, desse modo dificultaria a obtenção de armas dos ''bandidos''.

Já vi argumentos dizendo que existem muitas armas nos EUA, mas comparados com o Brasil os indices de homicidio por armas de fogo são muito mais baixos, mas quem quer comparar EUA com BRA? Os EUA são um pais de 1° mundo, com indices de desigualdade social, falta de educação e etc muitos mais baixos que o Brasil. Os EUA devem ser comparados com paises como o Canadá, onde existe a lei do desarmamento e os indices de homicio são muito mais baixos que os dos EUA. Se existisse outro país com indices de desigualdade social, violencia, etc, como os do Brasil, porém COM a lei do desarmamento em vigor, poderiamos compara-los e ver que seus indices de homicidios por armas de fogo seriam muito mais baixos.

Outra coisa é que de cada 4 pessoas que reagem contra um assalto apenas 1 obtem sucesso. Leavando isso em conta com numeros altos, como 4 milhoes de pessoas, 3 milhoes perderiam suas vidas por causa que reagiram com suas armas de fogo. E como já disse antes o desarmamento diminuirá a quantidade de armas possuida pelos ''bandidos'', isso não acabará com a criminalidade, obviamente, mas diminuirá as mortes por armas de fogo. VocÊ prefere ser assaltado por alguem com uma faca ou por um revolver?

Bem esses são alguns dos argumentos que fazem eu ser A FAVOR do desarmamento. Gostaria de ver o seu lado e que respondesse DIRETAMENTE esses argumentos. Espero também mudar a opnião de muitas pessoas que devem estar lendo essa mensagem nesse momento.

Um comprimento cordial"

Antonio (Algusto dos Santos)
Rio de Janeiro
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Seguem minhas respostas.

ANTONIO: "Uma grande parte das armas dos ''bandidos'' é obtida com furtos das pessoas que legalmente têm armas, se estas pessoas deixarem suas armas de lado, o numero de armas no Brasil diminuiria, e por consequencia os custos das outras fontes de armas brasileiras, como o mercado negro, subiriam o preço de suas armas, desse modo dificultaria a obtenção de armas dos ''bandidos''."

EDITOR: Você está dizendo que a curva de oferta diminuirá enquanto que a curva da demanda ficará imóvel à longo prazo. Ambos provavelmente não ocorrerão. Mesmo que você assuma que parte da oferta será destruída--ou seja, assumindo que civis não terão armas ilegais--, nada indica que os contrabandistas não ocuparão o novo espaço vazio, expandindo o contrabando. E se os preços das armas no mercado negro subirem, isso provavelmente expandirá o contrabando. Os preços poderão até voltar ao que eram pré-desarmamento, e ainda assim os contrabandistas estarão felizes pois estarão vendendo mais armas--aquelas que vendiam pré-desarmamento e aquelas que ocuparão o espaço das armas que antes eram furtadas dos civis. Além disso, a demanda por armas poderá aumentar pois o número de bandidos poderá aumentar--afinal de contas, ninguém nega que roubar e estuprar gente indefesa é mais fácil. Um aumento de demanda aumentaria o preço das armas ilegais--mantendo outras variáveis constantes--, mas os bandidos, por outro lado, estariam extraindo mais bens da população que estaria indefesa após o desarmamento (seria loucura considerar a hipótese de que o governo aumentaria nossa segurança). E os contrabandistas estariam faturando ainda mais já que um aumento da demanda aumentaria o preço e também o número de armas vendidas.

Agora, reconheço que eu e você estamos falando de hipóteses... O que é que a realidade nos mostra? Bom, basta ler o que ocorreu no Reino Unido e na Austrália após a passagem de severas leis anti-armas: Ambos são ilhas, onde o controle de fronteiras é bem mais fácil que no Brasil, e ambos tiveram um aumento vertiginoso das taxas de crimes com e sem armas. O Reino Unido implementou um severo desarmamento em 1997 (no Brasil, o plebiscito decidirá somente sobre a proibição da venda, e se passar, vai criar a classe dos "com-armas" e dos "sem-armas", ou seja, continuará existindo armas nas mãos de civis. Se houver um confisco mais tarde das armas legais existentes, o governo brasileiro terá de pagar valor de mercado por elas, o que custaria centenas de milhares de reais aos cofres públicos). No entanto, entre 1998/99 e 2002/03 a taxa de crimes com armas na Inglaterra e no País de Gales dobrou. Desde 1996, a taxa de crimes violentos subiu 69%; a taxa de assaltos subiu 45% e a taxa de assassinatos subiu 54%. A '2000 International Crime Victimization Survey' mostrou que a taxa de crimes violentos na Inglaterra e no País de Gales era o dobro da norte-americana. A diferença deve ter aumentado já que desde então crimes reportados pela polícia inglesa subiram 35%, enquanto que nos EUA houve uma pequena queda.

ANTONIO: "Já vi argumentos dizendo que existem muitas armas nos EUA, mas comparados com o Brasil os indices de homicidio por armas de fogo são muito mais baixos, mas quem quer comparar EUA com BRA? Os EUA são um pais de 1° mundo, com indices de desigualdade social, falta de educação e etc muitos mais baixos que o Brasil. Os EUA devem ser comparados com paises como o Canadá, onde existe a lei do desarmamento e os indices de homicio são muito mais baixos que os dos EUA. Se existisse outro país com indices de desigualdade social, violencia, etc, como os do Brasil, porém COM a lei do desarmamento em vigor, poderiamos compara-los e ver que seus indices de homicidios por armas de fogo seriam muito mais baixos."

EDITOR: Primeiramente, não existe lei do desarmamento no Canadá. A venda de armas lá para civis é legal. De fato as vendas de armas lá são mais restritas do que nos EUA. Porém desde que o programa de registro de armas começou em 1998, a taxa de homicídios canadense aumentou, enquanto a dos EUA caiu. Os canadenses já gastaram mais de $1 bilhão de dólares no seu registro de armas--500 vezes as estimativas iniciais. Para quê? Ainda assim, as taxas de crimes com armas nos EUA são de fato maiores que as do Canadá. Mas isso se dá ao maior controle de armas no Canadá? O grosso dos crimes violentos norte-americanos acontece em guetos, em geral envolvendo pessoas com ficha criminal--uma faceta social do EUA que não ocorre no seu vizinho do norte. Uma comparação mais homogenia das taxas de homicídios entre os dois países se dá comparando estados americanos ao sul da fronteira EUA-Canadá--Idaho, Montana, Dakota do Norte e Minnesota--com as províncias canadenses ao norte da fronteira--Alberta, Manitoba e Saskatchwan. Neste caso o que se vê é que o controle de armas canadense não teve efeito, apesar de achacar cidadãos de bem, tirar suas liberdades e tomar mais recursos fiscais. Pense nisso lembrando que a posse de metralhadores em Montana é permitida (com licença) e que o porte de armas nas ruas é permitido nos quatro estados americanos mencionados.

ANTONIO: "Outra coisa é que de cada 4 pessoas que reagem contra um assalto apenas 1 obtem sucesso. Leavando isso em conta com numeros altos, como 4 milhoes de pessoas, 3 milhoes perderiam suas vidas por causa que reagiram com suas armas de fogo. E como já disse antes o desarmamento diminuirá a quantidade de armas possuida pelos ''bandidos'', isso não acabará com a criminalidade, obviamente, mas diminuirá as mortes por armas de fogo. VocÊ prefere ser assaltado por alguem com uma faca ou por um revolver?"

EDITOR: A última vez que li sobre números semelhantes a estes, a fonte dos dados havia sido um delegado. Não tenho nada contra delegados, porém conduzir um estudo desses requer instrumentos estatísticos complexos. O maior e mais óbvio problema com esse tipo de estudo é que ele sofre de um gigantesco "viés de amostra". Este tipo de viés pode levá-lo a concluir que um excelente hospital é pior que o centro de saúde da esquina porque o hospital tem uma taxa de mortalidade maior. Os registros policiais praticamente só tomam nota dos casos de defesa mal sucedidos. O sujeito que atira num vagabundo na rua ou que mostra uma arma para um vagabundo e o põe para correr, não vai à delegacia contar sua história. Prof. John Lott Jr., durante estadia na Universidade de Chicago, conduziu uma pesquisa e estimou que nos EUA em 98% dos casos de usos defensivos de armas de fogo, a mera amostra da arma afugentou o agressor. Esta taxa de sucesso já foi revista um pouco para baixo por outros estudos, mas ainda continua na casa dos 85%-95%--bem longe dos 25% que você menciona.

Cordialmente,
Editor

sábado, 10 de setembro de 2005

Um dia normal no Rio

Para os que acham que exagerei ao responder a um visitante dizendo que o Rio de Janeiro já está em guerra civil--apesar de já ser quase impossível comprar armas legalmente diante te todas as barreiras burocráticas--, aqui vão algumas manchetes de um dia "normal" no Rio, publicadas hoje:

- "Acesso ao Rebouças é fechado de novo" (O Globo)
Já é o segundo ou terceiro fechamento da semana

- "Cem PMs vão patrulhar o Morro do Vidigal" (O Globo)
Traficantes estão em "guerra"

- "Forças Armadas farão segurança do Pan de 2007" (O Globo)
Por motivos óbvios: o governo não mais controla a cidade.

- "Mata dominada pelo tráfico" (JB)
Isso é novidade? O que que não está dominado pelo tráfico no Rio?

- "Duas pessoas morrem em ataque a posto da PM em favela de Bonsucesso" (O Globo)
Um dos mortos foi um sargento da PM. Os bandidos estavam armados de fuzis. A venda de fuzis é proibida para civis no Brasil há décadas, com exceções absurdamente burocráticas para colecionadores.

- "Escoltado, coronel visita o Vidigal" (JB)
"Escoltado por 30 policiais armados de pistolas e fuzis, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Hudson de Aguiar Miranda, entrou ontem na mata do Vidigal para assegurar que a corporação não perdeu o domínio sobre a região"

quinta-feira, 18 de agosto de 2005