sexta-feira, 2 de abril de 2004

Uma Terra de Insanos

Bom, se você ainda não leu, leia. Mesmo assim é díficil acreditar. Só no Brasil.
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Justiça nega novo pedido de prisão de Jossiel

RJ TV

RIO - O assassino confesso do casal americano Zera Todd e Michelle Staheli, Jossiel da Conceição, foi libertado às 17h45m desta sexta-feira da 16ª DP (Barra) onde estava preso desde a madrugada de quinta-feira quando foi preso depois de invadir a casa do cônsul da Turquia, no condomínio Porto dos Cabritos, na Barra da Tijuca. O condomínio é o mesmo em que morava o casal assassinado. Ele trabalhava há três anos como caseiro do empresário Paulo Sérgio Alves Malta, vizinho de porta do executivo da Shell. O acusado foi solto por determinação da Justiça.

Na madrugada desta sexta-feira, o juiz Renato Ricardo Barboza negou o pedido de prisão preventiva do caseiro. Segundo o parecer do juiz, a prisão do suspeito é ilegal. Ele foi apresentado sem advogado de defesa e, de acordo com a lei, só a confissão não é suficiente já que não há provas e que ele não foi preso em flagrante. Além disso, o acusado tem endereço fixo, bons antecedentes e não tentou fugir após o crime.

No início da noite desta sexta-feira, a Justiça voltou a negar o pedido de prisão contra o acusado do crime, que deixou a 16ª DP (Barra da Tijuca) acompanhado por quatro defensores públicos para depor na Secretaria de Direitos Humanos.

De acordo com o advogado da família Staheli, são necessárias provas técnicas para que ele seja preso. A Secretaria de Segurança Pública pretende usar as imagens feitas, na quinta-feira, durante uma reconstituição não oficial do crime como prova para a Justiça.

No mesmo dia, a polícia apreendeu, no condomínio onde o casal morava, um pé-de-cabra com o qual Jossiel assegura ter golpeado o casal. A ferramenta,que teria sido usada para assassinar os americanos, estava escondido na caixa de luz da casa vizinha a dos Staheli e será periciada.

Durante a reconstituição do assassinato, o caseiro mostrou onde havia escondido a arma e entregou as roupas para a polícia. Segundo o coordenador de Polícia Técnica, Roger Ancillotti, será feito exame com luminol na roupa de Jossiel. Ele quer ainda fazer um exame de DNA no caseiro para comparar com o material genético colhido embaixo das unhas de Michelle.

quarta-feira, 31 de março de 2004

Pitboys

A barbárie nas boates e salões de festa da Zona Sul carioca, onde lutadores de classe média-alta impunemente quebram, surram e esfaqueiam por puro prazer, é evidência clara de que:
1. A violência está relacionada (causalmente) com o desequilibro de forças entre agressores e vítimas, não com a mera ausência de armas de fogo por parte dos agressores. Como disse Tucídides há mais de dois mil anos atrás: “Os fortes fazem o que podem, os fracos sofrem o que devem.” No caso dos pitboys o fato deles não usarem armas de fogo não criou paz nenhuma: o número de vítimas de lesão corporal grave nos últimos dez anos é um completo absurdo.
2. “Impunidade” é a palavra que define a justiça criminal estatal no Brasil. Isso cria várias conseqüências indesejáveis. Justiça privada, isto é, com as próprias mãos, é uma delas. A outra é criminalidade crescente. O caso dos pitboys também é um excelente exemplo: com os melhores advogados de defesa existentes, você conta nos dedos (talvez nos de uma mão) os agressores presos por mais de uma semana. E portanto a violência por parte deles só cresce.
3. Impunidade fomenta agressão em qualquer grupo social. Lamentavelmente nosso país tem muita miséria. Porém não sou um dos que aceita a história de que a pobreza é a raiz da nossa violência. Primeiro porque sugere que 'pobre' é sinônimo de 'ladrão' e que 'pobre honesto' é sinônimo de 'burro'--um monumental insulto à vasta maioria dos pobres, que são pessoas honestas (Até um ministro de estado já conseguiu dizer em público que imigrante nordestino em São Paulo acaba ladrão!). Segundo porque ninguém estupra, mata cruelmente ou pede um resgate de milhões para “colocar comida na mesa.” Terceiro porque miseráveis estão longe de ter o monopólio da criminalidade--e a perpetrada pelos pitboys, por mero prazer e não fome, é um dos contra-exemplos.