Hoje de madrugada bandidos mataram quatro seguranças de empresas privadas aqui no Rio. Pelo o jeito o poder de fogo vastamente superior dos bandidos explica as mortes. É diante desse quadro--bandidos super bem armados, população ordeira mal armada--que se fala em acabar com a venda legal de armas. Ou seja, agora você nem poderá comprar um .38, enquanto que os bandidos continuarão andando por aí de fuzil, pistolas .40 S&W etc. Ah, mas segundo o governo, isso é pro nosso próprio bem, pois nós não temos cérebro suficiente pra saber reagir! Quem sabe reagir são policiais à paisana, juízes, promotores, legisladores etc--isto é, membros do governo, com sua sabedoria imensamente superior àquela dos que produzem riquezas e pagam impostos. Mas faz sentido: os inteligentes cagam as regras enquanto que nós, contribuintes burros, ficamos à mercê dos bandidos e governo.
sexta-feira, 11 de julho de 2003
terça-feira, 8 de julho de 2003
A Rede Bobo continua sem o menor pingo de vergonha na cara a sua campanha pela a proibição da posse legal de armas. Quando ela toca no assunto no Jornal Nacional, só entrevista "especialistas" contra a medida; a idéia de entrevistar o economista e professor de direito John Lott, nem por cinco minutos, está longe de acontecer, apesar da enorme importância dos projetos de lei que agora o congresso discute. É até risível o nível de parcialidade da emissora. As pessoas que acham que tal proibição não vai adiantar nada estão enganadas. A proibição do porte e da posse de armas vai PIORAR a violência tremendamente. E essa piora levará o governo à sugerir medidas mais draconianas como "um amargo remédio necessário". No Brasil a gente já viu esse filme uma centena de vezes.
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12:03 PM
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sábado, 24 de maio de 2003
Anthony Garotinho, Secretário de Segurança, 24/5/03: "Rio não está entre os estados mais violentos do país".
Hahaha. A gente tem de rir dessa turma, pois as outras opções são morrer de raiva ou de depressão profunda. É muita idiotice no poder. Impressionante. Se cada povo tem o governo que merece, a liderança política do Rio, estado e município, fala muito mal do carioca. Quando não é a anta do Anthony, é a anta do Cesar promovendo o museu de um quarto de bilhão de dólares pra uma cidade que só não atraí turistas porque a violência está fora de controle. Se os turistas não estão vindo pro Rio pra ver Ipanema, Copacabana e Barra, dá pra imaginar que eles virão pra ver mais um Guggenheim? Novamente: É muita idiotice!
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11:09 PM
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quarta-feira, 14 de maio de 2003
Na integra o artigo da Ms. Rosenbaum do Wall Street Journal gozando os planos de expanção do Guggenheim:
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Perpetual Motion: Where Next for the Guggenheim?
In the Fray
By LEE ROSENBAUM
Last month, the Solomon R. Guggenheim Foundation announced plans for the Guggenheim Museum Rio de Janeiro, to be designed by French architect Jean Nouvel. The 240,000-square-foot museum will include a 115-foot waterfall in a tropical rain forest with Brazilian flora and fauna, and a glass-ceilinged entrance hall with underwater views of a reflecting pool. Its cost is variously estimated to be $130 million (according to Cesar Maia, Rio's mayor) and $250 million (according to Thomas Krens, the Guggenheim's director). As with its satellite museum in Bilbao, Spain, the Guggenheim will receive a multimillion-dollar fee from the host city for the use of its name. It will also be paid a $4.18 million fee from Rio during the museum's development phase.
On Friday, just nine days after that announcement, the president of the Venetian Resort in Las Vegas revealed that it was permanently shutting down the larger of its two Guggenheim spaces, which may be converted into a theater.
Ever resilient, Mr. Krens is already seeking new continents to conquer. Next stop -- Taichung in Taiwan, where a feasibility study is already under way. And there is more to come. A disgruntled former employee, laid off during the 43% staff reduction caused by the museum's post-9/11 budget shortfall, has provided The Wall Street Journal with the secret draft of a press release announcing yet another projected branch:
NEW YORK -- June 1, 2010 -- Today Thomas Krens, Director of the Solomon R. Guggenheim Foundation, announced plans for the Guggenheim Museum Antarctica. Embedded in the Earth's southern ice cap, the museum will feature an enclosed Vaseline-slicked skating rink, conceived by Matthew Barney, hailed by the New York Times, in a review of his 2003 Guggenheim exhibition, "The Cremaster Cycle," as "[H]ands down . . . the most compelling, richly imaginative artist to emerge in years." Another amenity will be "Torqued Bobsled Run," designed by Minimalist sculptor Richard Serra and fabricated in his trademark material of massive sheets of steel. Two ice-walled galleries will display the last 10 artworks from the permanent collection of the Guggenheim, the rest having been gradually sold off to cover debt service and other costs associated with the museum's 18-year expansion program.
Despite skating on thin ice financially, the far-flung art museum still sees worlds left to conquer.
"We cannot be a truly Global Guggenheim until we have a foothold on each continent," observed Mr. Krens at last week's Guggenheim Summit in New York, attended by the directors of the Guggenheims Venice, Berlin, Bilbao, Rio, Taichung, Nairobi and Perth. "When our final Guggenheim on this planet opens in 2015 at the North Pole, we will at last have accomplished our goal of being not only global but bipolar."
In keeping with the Guggenheim's practice of using eye-catching architecture to distract from the uneven programming within, Mr. Krens announced that the Guggenheim Antarctica will be designed by the husband-and-wife team of Diller + Scofidio, best known for their 2002 Swiss Expo "Blur Building," so named because it is shrouded in a fog of mist sprayed from nozzles on its exterior. Their new museum, to be known as the "Brrrr Building," will be in the shape of a dogsled. Because its chief material will be ice, it will be the least expensive construction project so far, in line with the comparatively low attendance projected for this challenging climate. "Cost containment is essential because, unlike other international venues, Antarctica has no one willing to pay us tens of millions of dollars for use of the Guggenheim name," said Mr. Krens. "There are only penguins there."
The 10 paintings of the Antarctic Collection will be supplemented by art from the Guggenheim's new partner, the Saatchi Gallery of London. It will lend new work by Chris Ofili and Damien Hirst, among other MABAs (Middle-Aged British Artists), for an inaugural exhibition titled "Insensate." This will be followed by "The Art of the Snowmobile," a sequel to the museum's acclaimed high-octane cultural event of the 1990s, "The Art of the Motorcycle." This dynamic museum will be always in motion, thanks to the constant shifting of polar floes.
Mr. Krens commented that "the plans for the new museum are part of a tundra development plan that will anchor the rehabilitation of Antarctica and bring new jobs and new visitors, much as Frank Gehry's museum transformed Bilbao. This will be global warming in the best sense," he said. "It also continues our policy of diverting attention from our financial and management difficulties in New York by expanding abroad."
"The Guggenheim Antarctica will surely be a museum for the new millennium and beyond," Mr. Krens commented. "Speaking of beyond," he added, "we have already started our next feasibility study. It is for a location we are not yet prepared to disclose. But let me say that if realized, it will represent one small step for the Guggenheim, one giant leap for mankind."
Ms. Rosenbaum is a contributing editor of Art in America magazine.
Updated May 13, 2003 9:47 a.m.
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12:18 PM
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A nova do O Globo é dar na cabeça de empresas que mencionam a violência descontrolada do Rio. Primeiro com a reportagem sobre o anúncio de um hotel de Búzios que mostrava a foto de um ônibus incendiado, cena que está se tornando um cartão postal da cidade maravilhosa. Agora a reportagem de primeira página entitulada 'Banco Exporta Medo da Violência', que comenta sobre um email do Citigroup pros seus mais de 200.000 funcionários sugerindo o uso do Santos Dumond, entre outras coisas.
Essa reação do O Bobo é no mínimo bizarra. Notícias da violência carioca têm saido nos maiores jornais do mundo. Semana passada mesmo havia um artigo de primeira página no Wall Street Journal sobre o extermínio de bandidos na favela Rio das Pedras. A circulação diária daquele jornal é de quase dois milhões de cópias. Havia também semana passada longas reportagens sobre a violência carioca no New York Times (circulação um pouco acima de um milhão) e na revista The Economist (circulação de 880.000).
O que deveria ser destaque de primeira página no O Bobo é a reação do prefeito do Rio, Cesar Maia, ao email do Citigroup:
"É uma enorme besteira, até porque, em quantidade, ocorrem menos problemas na Linha Vermelha do que na Avenida Paulista. Poderiam chamar a atenção na mensagem para o fato de que os problemas na Linha Vermelha não são assaltos a motoristas."
Dá pra acreditar? Já imaginou o Citigroup dizendo no email: "By the way, don't worry too much about the Red Line Highway in Rio because its biggest problem isn't robbery, like in Avenida Paulista, but rather the daily exchange of machinegun fire between the police and drug lords. And in case you are wondering, these are not submachineguns using handgun calibers; no, these are the real thing and they fire the .223, the .308 and the 7.62x39. Thus don't bother about renting an armored car. Just relax and enjoy your trip!" Essa figura é a mesma que quer gastar milhões num novo museu de arte pro Rio, uma cidade que, tirando a violência, tem do melhor pra atrair turistas.
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3:41 AM
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sábado, 10 de maio de 2003
A idéia do município do Rio gastar dezenas de milhões de dólares num Guggenheim enquanto a região metropolitana mergulha de cabeça numa guerra civil é uma das coisas mais irresponsáveis que eu já ouvi na minha vida. Enquanto o estado do Rio vai à Brasília pedir recursos do resto do país, a cidade joga dinheiro fora. Agora, pro prefeito Cesar Maia o projeto faz sentido pois essa será a sua pirâmide pra eternidade; o fato de que esse dinheiro poderia salvar milhares de vidas e educar milhares de crianças lhe importa menos.
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2:17 PM
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Essa questão da escolha das leis a serem aplicadas é importante. As pessoas, e especialmente os políticos, com frequência apoiam a criação de novas leis--"temos de regulamentar isso", "temos de proibir aquilo". O problema é que novas leis restringem ainda mais os recursos limitados do estado; numa situação de guerra civil como a do Rio, ou elas destrõem o conceito de priorização ou são esquecidas. Ambos são resultados ruins pra sociedade: o primeiro destrai a polícia e o segundo denigre a importância do seguimento das leis.
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1:53 PM
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Da mesma maneira que o governo brasileiro pune o cidadão que segue as leis, está claro que ele também pune policiais honestos. Se o policial faz de tudo pra entregar o bandido vivo na mão da justiça, em uma semana--ou no dia seguinte--esse bandido está nas ruas correndo atrás do policial. O policial honesto também tem de escolher entre correr atrás do pai de familia que dirige com um celular na mão ou do 'bonde' com vinte bandidos armados de fuzis, escopetas e pistolas. Os policiais honestos são mortos ou corrompidos. Os que perseveram na honestidade são heróis literalmente.
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1:52 PM
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quinta-feira, 8 de maio de 2003
Resolvi começar esse weblog porque não estava fazendo sentido encher o livro de visitantes com mensagens minhas...
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11:08 PM
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