quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004

Rio Pela Paz

- Restaurante é assaltado em Copacabana

- Vila da Penha: motorista tenta evitar roubo e é assassinado

- Campo Grande: homem é baleado ao reagir a assalto

- Santa Cruz: homem morto a facadas

- Homem é morto em Bonsucesso

Este é um exemplo das notícias da violência do Rio na manhã de hoje, uma cidade onde é extremamente difícil ter uma arma legal dentro de casa e onde é praticamente impossível ter uma nas ruas. Os anti-armas, lendo estas manchetes, concluem que ainda não houve suficiente proibição para eliminar tanta ilegalidade, ignorando a gritante relação causal entre as proibições e a violência. O raciocínio dessa turma me lembra um dizer supostamente atribuído a Konrad Adenauer, primeiro chanceler alemão após a segunda guerra: Deus foi injusto pois limitou a inteligência humana, mas não sua estupidez.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004

Mais Uma Vez: Manipulação Escancarada

Enquanto a Globo manda o elenco inteiro de uma novela das oito para uma passeata entreguista do Viva Rio--junto com uma enorme equipe de cinegrafia--, o maior conglomerado jornalístico do país não mandou sequer um trainee para a passeata do Movimento Chega de Impunidade, que houve sábado no Ibirapuera. Os organizadores, obviamente, notificaram a Globo, mas a arrogância da empresa não vê limites e ela nem sente a necessidade de manter uma imparcialidade aparente. A Globo fabrica um produto jornalístico que sai podre da planta, um produto corrompido não só na montagem, mas também na pesquisa & desenvolvimento, tudo sob as ordens de seus dirigentes. É uma vergonha para o país todo.

Uma das Grandes Falácias

Uma das grandes falácias atuais, repetida goebbelianamente pela Globo e outros manipuladores da opinião pública, é a de que civis não tem a capacidade de usar armas devidamente. Quando era menino-garoto, ia todo final de semana ao Clube de Tiro Guanabara, que ficava numa propriedade fantástica na beira de uma das lagoas da Barra da Tijuca. Num dos finais de semana, dois PMs apareceram e deram tiro com a gente. Naquela época não se temia a PM como se teme hoje--longe disso. Tinha entre 13 e 15 anos, e não fiquei nada impressionado com a habilidade dos PMs no estande de tiro. Mas isso, afinal, era de se esperar. Talvez seja seguro afirmar que o nosso grupo de tiro, que se compunha de cinco pessoas, consumia por ano mais munição do que um batalhão inteiro da PM. Além disso, nosso equipamento de tiro com certeza era superior.

Os entreguistas covardes então erram ao dizer que civis não têm a capacidade de usar armas de fogo devidamente. O que se pode dizer hoje é que civis não têm o treinamento devido para o uso defensivo de armas de fogo. Mas isto se deve exclusivamente aos próprios entreguistas covardes pois eles estão tornando impossível a prática legal do tiro. O esporte está se limitando àqueles com recursos e tempo para cumprir a montanha de exigências legais. A burocracia é uma maluquice pela sua natureza kafkaesca, pela ausência de benefícios gerados (exceto para os sanguessugas que vivem das exigências) e pelo seu contraste com o vale-tudo do crime, onde o uso de granadas e fuzis está se tornando comum.

Heróis sem Armas de Fogo

O motorista do empresário Concetto Mazzarella disse que o patrão “era muito corajoso e, se fosse necessário, enfrentava tudo”. Mazzarella foi enfrentar com uma faca duas bandidas na portaria do seu prédio no último sábado no Rio; teria deixado uma arma com a esposa e outra com o filho--segundo os jornais, as únicas na casa. Acabou assassinado. Os entreguistas de plantão, especialmente alguns empresários que pagam milhares de reais por mês para um exercito de capangas, vão usar este caso como um exemplo da necessidade de nos entregarmos nas mãos dos bandidos e do estado. Segundo estes covardes, estaremos mais seguros desta forma, apesar das evidências diárias do contrário. Não é confortante pensar que a polícia provavelmente confiscou as duas armas dos Mazzarella e que agora resta à família o uso de facas ou de armas ilegalmente emprestadas?

A meu ver, Concetto Mazzarella é um herói que foi morto em combate. Pena que ele não tinha uma Remington 870 para apreender as bandidas e defender sua vida de forma efetiva.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2004

Estatuto das Aberrações

Imperdível a análise do Estatuto do Desarmamento feita por Gilberto Thums (procurador de justiça do Ministério Público do RS, professor universitário e coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público). As absurdas distorções do Estatuto por ele destacadas deixam claro que a lei é um entulho legal que levará anos para os tribunais limparem e que, em muitos casos, será meramente ignorado (nas palavras do procurador: “Trata-se de fúria legislativa que vai superlotar ainda mais o sistema penitenciário com presos provisórios. Dificilmente essas regras terão aplicação integral”.) O site da APADDI merece crédito pelo destaque dado à análise. É leitura inteligente que comprova a estupidez sem limites dos anti-armas, gente que freqüentemente não consegue enxergar dois dedos diante do nariz.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2004

Mais Manipulação do Povo

A Rede Globo continua sua fraudulenta campanha de promoção do Estatuto do Desarmamento. Até aí nada surpreendente, já que o vice-presidente das Organizações Globo, José Roberto Marinho, é do conselho diretor do Viva Rio. Porém a maneira como a manipulação do público está sendo conduzida é uma coisa chocante para alguém com um pouco mais de educação. Hoje de manhã, por exemplo, o repórter Heródoto Barbeiro, da CBN, conduziu uma ‘rodada’ de ‘conferência’ dos resultados do Estatuto. Ele então perguntou a vários repórteres ao redor do Brasil, em seqüência e sem interrupções, o que aconteceu desde a promulgação da lei. “Aqui em Recife foram apreendidas X armas desde que a lei entrou em vigor e N pessoas foram presas”; “aqui no distrito federal, Y armas apreendidas, 20% a mais do que no mesmo período do ano passado”, etc. Porque então chamo isso de fraude? Bom, primeiro por que mesmo sob a lei antiga, estas armas teriam--ou deveriam ter sido--apreendidas. Tanto que nas comparações feitas com “o mesmo período do ano passado”, algumas davam um aumento e outras uma diminuição do número de armas apreendidas (caso do Rio de Janeiro, conforme comentário do próprio repórter da CBN entrevistado pelo Heródoto na seqüência). Segundo porque o número de pessoas presas não significa nada. Um dos primeiros casos divulgados com alarde de prisão sem fiança foi o de um sujeito que havia atirado para o alto para defender ele ou um amigo de um ataque. Sou contra atirar para o alto pois pode ferir alguém inocente, mas é muita estupidez prender sem fiança uma possível vítima de agressão num país onde não há recursos para prender criminosos violentos nem para mantê-los distantes da sociedade uma vez presos. Agora, a terceira e principal razão pela qual considero essa reportagem uma fraude é porque no fundo o que interessa é se a taxa de crimes violentos vai diminuir a médio e longo prazo. Porque que o número de armas apreendidas pode interessar se não temos idéia da quantidade de armas que estão sendo contrabandeadas para dentro do país? Mesmo assumindo que o estoque de armas ilegais esteja caindo (nada leva a crer que seja o caso), a situação não é necessariamente confortadora. Por exemplo, os bandidos, encorajados pelo desarmamento das vítimas, podem enfrentar a escassez de armas de fogo ilegais através de empréstimos e aluguéis. (Para as possíveis vítimas, no entanto, é mais complicado enfrentar a escassez de armas legais, pois elas precisam de uma arma ou de alguém armado disponível o tempo todo. Teoricamente uma solução seria o estado aumentar o efetivo policial na proporção inversa do estoque de armas legais. Isso não está acontecendo e provavelmente não vai acontecer, fora o fato de que essa solução torna o país um rebanho de ovelhas sob a guarda de um lobo. Outra solução é dividir esforços entre vizinhos para a contratação de segurança privada por tempo integral. Por moradia, a longo prazo, isso sai mais caro do que um revólver ou uma escopeta, fora o fato de que você não pode levar os seguranças numa viagem com a família.) Eles podem também usar outras armas, como gasolina & isqueiro, ácido, garrafas quebradas, facas, porretes, martelos, soco inglês etc. Muitas variáveis contribuem para a taxa de crimes violentos e o número de armas de fogo ilegais apreendidas não é necessariamente a variável de maior efeito-- longe disso. Os bandidos podem e provavelmente vão agir de forma mais voraz diante de uma população menos armada (em casa ou nas ruas), mesmo se o estoque de armas de fogo ilegais diminuir.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2004

Reciprocidade Contra Turista Americano: Tiro de 12 no Pé

Assim como alguns dos meus 17 leitores desse weblog, estou pasmo que o governo PT tenha escolhido externar seu anti-americanismo implementando a decisão do juiz de Mato Grosso. Esta é uma das formas mais estúpidas de fazê-lo. O princípio da reciprocidade deve ser sacado quando é de interesse do país. É de interesse do Brasil fazer turistas americanos esperarem entre uma e nove horas nos nossos portos de entrada como a recíproca de um rápido processo biométrico americano que supostamente afugenta o turista brasileiro daquele país? Isto, na prática, é o equivalente a embargar a entrada de todos os americanos no Brasil, porém feito de forma lenta, ao passo da difusão das notícias entre potenciais turistas americanos (ontem na página do 'Drudge Report', o site de notícias mais visitado nos EUA, com média de seis milhões de hits diários, havia um link para uma notícia da BBC que divulgava que as "medidas têm causado longas demoras para viajantes" e que "some incoming US flight passengers were delayed at the airport for up to nine hours while security officials ran identification checks"). O princípio da reciprocidade em relações internacionais nos permite agir, mas não nos obriga a agir. É absolutamente inacreditável que um juiz possa entender o contrário. É também inacreditável que o governo PT, veementemente contra a redução da maioridade penal, pois a última seria uma medida--adivinhem--"vingativa", sancione a vingança desse juiz. Esta medida mostra para mim outros aspectos inacreditáveis da nossa terra. Como pode, por exemplo, um juiz que não recebeu o voto de sequer um eleitor brasileiro reger e afetar de tal forma a relação entre o Brasil e outro país. (Isso ignorando o fato de que, no momento, este 'outro país' é a maior potência militar e econômica do planeta.) Como pode grande parte da população apoiar uma medida sem nenhum benefício prático, mas com altos custos tanto para as nossas polícias quanto para a indústria do turismo, num país onde os recursos são extremamente escassos, onde há milhões de crianças fora das escolas e onde a violência está totalmente fora de controle? Não defendo que as pessoas abram mão de princípios básicos na busca de recursos. Porém o princípio da reciprocidade não é um desses princípios básicos. Isto é conhecimento de todos. Quantos brasileiros se recusam a chamar o chefe de 'doutor' já que o chefe não é doutor em nada e não trata o empregado com igual reverência? Certo, o Brasil não é empregado dos EUA. Este exemplo é somente para mostrar que, mesmo no nosso dia-a-dia, outros princípios frequentemente tomam a frente em relação à reciprocidade. Por que as nossas elites, especialmente a intelectual, são unanimemente contra a pena de morte, mesmo contra sua aplicação nos casos onde o assassino demonstra crueldade e covardia sem limites? Certamente porque elas põem a reciprocidade de lado (no momento errado, a meu ver, mas é outro exemplo). Não faz então sentido aplicar a reciprocidade quando ela causa tamanho dano à indústria do turismo e quando ela desvia recursos importantíssimos da polícia federal para aplicá-los contra centenas de milhares de turistas americanos que anualmente vêm ao Brasil. É curioso até notar aqui o seguinte: na medida em que o sistema brasileiro é otimizado, ele perde ainda mais a razão de existir. Pois afinal o único benefício da medida é atazanar a vida dos americanos para se vingar das medidas de segurança do governo deles. A montanha de dados que recolheremos são praticamente de valor nulo para as nossas polícias. Sem atazanar os americanos, o único beneficio desaparece e só sobram os custos de operar esse maquinário nos portos de entrada do Brasil. Faz um mínimo de sentido investir na compra e manutenção dessa infra-estrutura portuária enquanto nossas polícias são incapazes de averiguar que o suspeito do assassinato de uma criança, detido na investigação, é um assassino condenado a 27 anos de prisão que fugiu após quatro meses na cadeia?

quarta-feira, 24 de dezembro de 2003

Íntegra do Estatuto

Nós vivemos num país onde, graças ao excesso de regulamentações, há um enorme nível de informalidade nos mercados de habitação, de transportes, de mão-de-obra e de comércio varejista (cf. “The Other Path”, Hernando de Soto). O único efeito certo do Estatuto do Desarmamento será um aumento significativo da informalidade no mercado de segurança, seja na compra e venda de armas, seja na obtenção de segurança privada. O site do In-Correto tem um link para a lei na sua íntegra. É um amontoado pavoroso de besteiras e formalidades que deixa o leitor seguro de que nossos governantes vivem num universo paralelo. A minha predileta é o Artigo 30, que trata da anistia das armas atualmente ilegais: o sujeito que quiser legalizar sua arma terá de apresentar “nota fiscal de compra ou a comprovação da origem lícita da posse, pelos meios de prova em direito admitidos”. A minha primeira reação ao ler esta pérola foi rir, pois só mesmo um completo energúmeno exigiria que um ilegal provasse a sua legalidade antes de anistiá-lo. Mas o texto faz sentido se lido da forma correta: esta lei e os entreguistas agora no poder não têm a intenção de anistiar ninguém. Então nada melhor do que meter um artigo que dá o que falar no Jornal Nacional, mas que na prática se auto-anula. De fato, coisa de energúmeno, no sentido obsoleto da palavra.

terça-feira, 23 de dezembro de 2003

Estatuto do Desarmamento

Foge da minha compreensão a idéia de que vamos transferir para este estado brasileiro--o mesmo que não consegue tirar das cadeias armas, celulares e drogas, e que não consegue manter um bandido preso dentro de um batalhão de choque--um papel maior na defesa da vida e do patrimônio. Vinte dois de dezembro de 2003 é uma data which will live in infamy na história do nosso país. A sanção do Estatuto do Desarmamento é prova concreta de que os brasileiros estão perdidos: Como pode não haver uma comoção nacional contra uma lei apoiada pelo governo britânico--doador de mais de uma milhão de reais para as campanhas de desarmamento do Viva Rio--e cujo relator foi Luiz Eduardo Greenhalgh, o mais notório defensor brasileiro da liberação de criminosos? A falta de orientação do nosso povo se deve em grande parte ao trabalho criminoso de manipulação feito pela mídia nacional. Afinal, como pode, por exemplo, a horda de jornalistas ao redor do Renan Calheiros ficar quieta ao ouvi-lo dizer que “a diminuição do número de armas legais vai diminuir a criminalidade”? Pois se o Renan está certo, porque o Rio Grande do Sul, com sete vezes mais armas per capta do que São Paulo, tem uma taxa de homicídios quatro vezes menor? Porque cresceu a criminalidade paulistana se o número de portes emitidos na capital daquele estado caiu de 22.025 em 1994 para 3.900 em 2002? Ou seja, nada que sai da boca do Calheiros, do Greenhalgh e do Ruben César Fernandes presta, e nossos jornalistas ouvem tudo quietos, como a mídia alemã ouvindo Hitler em 1936. Se esta inanição fosse fruto de baixa capacidade intelectual, essa cambada poderia pelo menos entrevistar depois uma voz dissidente e informada. Mas nada--o que se segue é a previsão do tempo. Pagaremos caro pela promoção de tanta mentira, mas o triste é que os promotores, na maior parte fora de cargos eletivos, não arcarão com custo algum.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2003

Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira

As pérolas do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, não se limitam a comentários sem o mínimo de coerência e lógica a respeito do desarmamento civil (cf. este blog, dia 14/9/03). O Globo reporta (16/12, p. 16) que o Eduardo, numa entrevista ao Pasquim, disse que é "amigo pessoal" de Fidel Castro e que "Se eu fosse mais jovem, iria viver lá." Uma pena não haver uma máquina do tempo para podermos mandar o Eduardo de volta para a sua juventude (com uma passagem só de ida para Cuba no seu bolso), pois o Rio de Janeiro perde muito tendo alguém tão insensato representando suas indústrias. O Eduardo é outro membro do conselho diretor do Viva Rio que anda por aí de carro blindado e cercado por capangas armados, ou seja, além insensato é hipócrita.